quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Pouca instrução no dia de namorados.


Os lenços de namorados. Noutros tempos copiados uns pelos outros por raparigas de poucas letras.

E hoje mesmo todos os jornais falam do último relatório da Unicef sobre a situação das crianças no mundo. Relembra que os nossos jovens continuam pobres e estúpidos.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Alguns abalos fazem sempre bem numa 2ª feira de trabalho.

Day after.

Quando voltámos à escola no dia depois do 25 de Abril, os professores falavam do Salazar, do Caetano, da ditadura, dos presos. Toda a gente tinha alguma coisa a dizer, sobretudo sobre a qual discordar.
Será que a despenalização do aborto significará a mesma libertação?
Hoje pensei que isso pudesse acontecer mas a quase-clausura não me permite perceber do que se fala por aí.
Talvez não seja a mesma libertação, ou o seja para muito poucas mulheres. A culpa fecha as bocas, mais do que a ditadura.
Ouvi que os jornais europeus olham com paternalismo para este referendo neste país tão conservador, religioso e rural, como escreve o Economist. Não é de admirar, só nós é que não percebemos que não vamos dar lições a ninguém.
Antes, como faz o primeiro-ministro, ver o que de melhor se vai fazendo por aí e copiar.


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O meu signo Briggs Meyers.

Fazer testes online está apenas um pequeníssimo degrau acima de ler os signos. Esta é uma versão simplificada do teste Briggs Meyers, que também está na net. Aliás, já o tinha feito, mais de uma vez. Não me lembro bem dos outros resultados mas o de hoje é simpático.

Personalidade ENFP

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Poemas para crianças: Tony Mitton e Rodari

FORBIDDEN POEM

This poem is not for children.
Keep Out!

There is a big oak door
in front of this poem.
It’s locked.

And on the door is a notice

in big red letters.
It says: Any child who enters here
will never be the same again.
WARNING. KEEP OUT.

But what’s this?
A key in the keyhole.

And what’s more,
nobody’s about.

“Go on. Look,”
says a little voice
inside your head.
“Surely a poem
cannot strike you dead?”


You turn the key.
The door swings wide.
And then you witness
what’s inside.

And from that day
you’ll try in vain.

You’ll never be the same again.

Tony Mitton



Un giorno tutti saremo felici.
Le lacrime, chi le ricorderà?
I bimbi scoveranno
nei vecchi libri
la parola "piangere"
e alla maestra in coro chiederanno:
"Signora, che vuol dire?
Non si riesce a capire".
Sarà la maestra,
una bianca vecchia
con gli occhiali d'oro,
e dirà loro:
Così e così.
I bimbi lì per lì
non capiranno.
A casa, ci scommetto,
con una cipolla a fette
proveranno e riproveranno
a piangere per dispetto
e ci faranno un sacco di risate...
E un giorno tutti in fila,
andranno a visitare
il Museo delle lacrime:
io li vedo, leggeri e felici,
i fiori che ritrovano le radici.
Il Museo non sarà tanto triste:
non bisogna spaventare i bambini.
E poi, le lacrime di ieri
non faranno più male:
è diventato dolce il loro sale.
...E la vecchia maestra narrerà:
"Le lacrime di una mamma senza pane...
le lacrime di un vecchio senza fuoco...
le lacrime di un operaio senza lavoro...
le lacrime di un negro frustato
perché aveva la pelle scura..."
"E lui non disse nulla?"
"Ebbe paura?"
"Pianse una sola volta ma giurò:
una seconda volta
non piangerò".
I bimbi di domani
rivedranno le lacrime
dei bimbi di ieri:
del bimbo scalzo,
del bimbo affamato,
del bimbo indifeso,
del bimbo offeso, colpito, umiliato...
Infine la maestra narrerà:
"Un giorno queste lacrime
diventarono un fiume travolgente,
lavarono la terra
da continente a continente,
si abbatterono come una cascata:
così, così la gioia fu conquistata".

(in Versi e storie di parole, Gianni Rodari)



Poesia vitoriana: Christina Rossetti.



I cannot tell you how it was,
But this I know: it came to pass
Upon a bright and sunny day
When May was young; ah, pleasant May!
As yet the poppies were not born
Between the blades of tender corn;
The last egg had not hatched as yet,
Nor any bird foregone its mate.

I cannot tell you what it was,
But this I know: it did but pass.
It passed away with sunny May,
Like all sweet things it passed away,
And left me old, and cold, and gray.


Christina Rossetti, May (in Goblin Market and other poems, 1862)
10-Wanda_Sa--Inotil_Paisagem.mp3
(lado direito do rato --- open link in new tab)

domingo, fevereiro 04, 2007

El corazón,
Que tenía en la escuela
Donde estuvo pintada
La cartilla primera,
¿Está en ti,
Noche negra?

(Frío, frío,
Como el agua
Del río.)

El primer beso
Que supo a beso y fue
Para mis labios niños
Como la lluvia fresca,
¿Está en ti,
Noche negra?

(Frío, frío
Como el agua
Del río.)

Mi primer verso.
La niña de las trenzas
Que miraba de frente
¿Está en ti,
Noche negra?

(Frío, frío,
Como el agua
Del río,)

Pero mi corazón
Roído de culebras,
El que estuvo colgado
Del árbol de la ciencia,
¿Está en ti,
Noche negra?

(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)

Mi amor errante,
Castillo sin firmeza,
De sombras enmohecidas,
¿Está en ti,
Noche negra?

(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)

¡Oh, gran dolor!
Admites en tu cueva
Nada más que la sombra.
¿Es cierto,
Noche negra?

(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)

¡Oh, corazón perdido!
¡Réquiem aeternam!

Federico Garcia Llorca, Balada Interior

Xarope de groselha


Há muitos meses comprei um xarope de groselha. É tão delicioso e tem uma cor tão bonita que, de repente, dentro daquela garrafa estavam paisagens e alegrias de tempos despreocupados. Foi uma viagem a uma infância inexistente, como tantas vezes acontece. Mas continua a saber a antigo sempre que a provo.



Fonte: MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
DIRECÇÃO-GERAL DOS IMPOSTOS (DGCI)

Tendo merecido despacho concordante, em 26-04-06, do Sr Subdirector-Geral, a n/ informação nº 1 411 de 07-04-06, comunica-se o seguinte:

1. De acordo com o disposto na verba 1.12 da Lista I anexa ao CIVA, são tributados à taxa de 5%, os “ refrigerantes, sumos e néctares de frutos ou de produtos hortícolas, incluindo os xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos ”.

2. Em matéria de regulamentação dos sumos e néctares de frutos, bem como da sua composição, acondicionantes e rotulagem, o Decreto-Lei nº 225/2003, de 24 de Setembro, transpõe para a ordem jurídica interna, a Directiva nº 2001/112/CE, do Conselho, de 20 de Dezembro, relativa aos sumos de frutos e a determinados produtos similares destinados à alimentação humana.

3. Para efeitos do disposto na referida Directiva, o anexo II do Decreto-Lei nº 225/2003, de 24 de Setembro, define quais as matérias primas a utilizar na composição dos citados produtos, referindo o ponto 4 alínea b) o “xarope de frutos”.

4. Por outro lado, o Anexo I, do citado diploma, refere também que sumo de frutos é por definição “o produto fermescentível, mas não fermentado, obtido a partir de uma ou mais espécies de frutos, sãos e maduros, frescos ou conservados pelo frio,com a cor, o aroma e o gosto característico do sumo das frutas de que provêm”.

5. Face ao exposto, e atendendo a que a “groselha”, está classificada no âmbito da botânica como um fruto (fruto retirado da groselheira), que, de resto, se encontra elencado no Anexo IV do referido diploma, considera-se o produto “xarope de groselha”, para efeitos de enquadramento na verba 1.12 da Lista I, como um “xarope de sumos”, sendo, consequentemente, tributadas à taxa de 5% as respectivas transmissões

6. Devem considerar-se revogados quaisquer outros entendimentos proferidos em sentido contrário

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O sim de Vasco Pulido Valente.

O dia começou com boas notícias. Vasco Pulido Valente escreve "sim" para acabar com o aborto clandestino:
"A pergunta do referento é limitada e concreta: quer ou não quer o eleitorado acabar com o aborto clandestino até às dez semanas de gravdez? Nada mais. O "não", sem defender o regime presente, alega que esta medida irá aumentar e "normalizar" o aborto . E, para evitar esse perigo, aceita que milhares de muheres paguem um preço de sofrimento e de humilhação (a maioria infelizmentes por ignorância e miséria). O "sim" prefere acabar com o mal que vê e pensar depois no mais que vier, se de facto vier."

Não percebo como a moralidade dos defensores do "não" se concilia com a imoralidade do aborto clandestino. É a moral do castigo e do sofrimento. A sexualidade fora da procriação, as mulheres que podem não ser mães, a liberdade individual, tudo isto são perigos e desvios.

No mesmo Público, ainda os "SIM" de Esther Muznick, falando do feto ou embrião como corpo da mulher e ainda sem existência própria, de José Miguel Júdice, Vítor Dias, Helena Matos.