segunda-feira, novembro 27, 2006

"...antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa..", Mário de Cesariny

andamos nós a sofrer e a amar de forma inominável e vêm estes fulanos com ar matrapilho e libertino dizer-nos como é com uma ou duas frases simples
os poetas... os poetas...

vai-se embora o Mário de Cesariny e eu tenho pena já haja pouca gente de talento e liberdade

quarta-feira, novembro 22, 2006

Uma música para ouvir muitas vezes.

Vuelvo al sur, cantado por Roberto Goyeneche no disco Tanguedia de amor de Astor Piazzolla.


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Hoje queria descobrir devagar:

o novo livro do Pynchon que o Luís recomenda


porque fazia Robert Altman filmes em que todos eram estrelas


a tristeza dos quadros de Edward Hopper de que falava Luís Fernando Veríssimo no último Expresso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.


Paul Verlaine, Chanson d'automne

O Japão flutuando nas caves na Gulbenkian.


Goyo Hashiguchi (1880-1921) é o autor da gravura acima e um dos representantes do shin hanga, um movimento artístico da viragem do século XIX para o XX que procurou incorporar técnicas ocidentais na arte da gravura tradicional japonesa - entre outras, foi buscar a luz e expressão das emoções dos impressionistas (a influência foi, aliás, recíproca).

A peça foi criada para o editor Watanabe Shozaburo, tido como o principal responsável deste renascimento da gravura japonesa. Watanabe juntou vários gravadores e impressores que dominavam as técnicas ancestrais e procurou artistas capazes de criar no novo estilo. O talentoso e exigente Goyo Hashiguchi foi um deles. Mas apesar da gravura ser muito de bela e de excelente qualidade, o artista não ficou satisfeito e cessou a colaboração com o editor.

Hashiguchi, nascido Hashigushi Kiyoshi, toma o nome Goyo em Tóquio onde se forma em 1905 como melhor aluno da Escola de Belas Artes. Estuda os grandes artistas japoneses e publica uma importante colecção de 12 volumes sobre a arte da gravura no Japão. Durante a sua vida produziu apenas 14 gravuras: algumas paisagens, uma gravura com animais e oito bijin-qam as gravuras de belas mulheres que perpetuavam o ideal da mulher geisha, submissa e feminina. Os trabalhos de Goyo eram gravados e impressos segundo técnicas muito rigorosas e em publicações de tiragens muito limitadas, às vezes com não mais de 8 cópias. Como as pranchas de madeira originais ficaram destruídas num terramoto, as suas peças tornaram-se ainda mais procuradas.


A gravação da madeira é um dos aspectos mais fascinantes desta técnica - o desenho, a traço, era colocado na bloco de madeira. Depois da prancha ser entalhada, imprimiam-se cópias que eram examinadas pelo artista. Eram, depois, devolvidas com a indicação de que cor deveria recobrir cada área. Os artesãos faziam, então, um bloco para cada cor. O papel passava pelos diversos blocos até ficar com as cores pretentidas pelo artista. Durante o processo, a humidade, o alinhamento, a textura do papel tinham se ser cuidadosamente controlados. Um labor de paciência e mestria.




"Retratos do mundo flutuante" ou ukiyo-e... poética designação para o tipo de imagens reproduzidas por esta técnica de gravura. O "mundo flutuante" era o mundo cosmopolita e hedonista do período Edo (1603 a 1867), as casas de chá, as geishas, os lutadores de sumo, os actores... temas que divertiam e apelavam aos burgueses que podiam encomendar uma pintura. O próprios posters da peças de teatro Kabuki foram um dos meios de divulgação destas imagens.

O erotismo mais ou menos velado está presente na representação deste mundo de sensações e prazeres. Há mesmo algumas imagens bastante mais ousadas: as shunga-e (Shunga = imagens da primavera) Os temas tornam-se explícitos e os orgãos sexuais chegam a aparecer retratados com dimensões exageradas e desproporcionadas. Uma das explicações seria tamanho diminuto que estas imagens em circulação teriam, sendo assim necessário exagerar as dimensões. Outra seriam reminiscências de uma cultura falocrática. Mas não encontrei muito mais sobre esta teoria. Os shunga, dizem outros autores, seriam também uma forma de educação sexual e fariam até parte do dote das jovens.

As imagens da primavera não estão, ainda, na Gulbenkian, mas um pouco da hipnótica iconografia japonesa por lá vai ficar uns tempos: Mundos de Sonho: Gravuras Japonesas Modernas da Colecção Robert O. Muller.

domingo, novembro 19, 2006


Do you know your Dada from your Moma? Try the quiz and see.

Instalação com vigas, tijolos, janelas, tristeza e outros materiais que estavam amontoados


No Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, Cabrita Reis construíu a Fundação. Uma peça, uma instalação, feita a partir de materiais guardados nos armazéns do edifício - chapas, madeiras, estantes, secretárias, lâmpadas, acrílicos... mas também um quadro que se duvida seja realmente de Corot, estátuas em terracota vindas de outro projecto, grandes pedras do jardim, muros de tijolos e cimento... Os meus olhos procuram onde se fixar e perguntam ao artista: "Criar um território que está à disposição do observador para que ele próprio elabore as suas perguntas e interpretações.", responde Cabrita Reis. Demasiado aberto. Ao meu lado, outros olhos irritavam-se. Suspiro e não lhes consigo responder.

fundação (Do lat. tard. fundatióne-, «id.»)1. acto ou efeito de fundar; 2. origem; princípio; 3. parte de uma construção destinada essencialmente a distribuir as cargas sobre o terreno; alicerce;4. DIREITO acto de criar, por doação ou testamento, uma instituição de interesse público e sem fins lucrativos; 5. instituição criada dessa forma.

terça-feira, novembro 14, 2006

Oh... onde foram os meus favoritos...?


Uns, recentes conhecimentos, jovens, esfuziantes, outros mais clássicos, doces companhias. Aqui, tagarelas, cabeças-de-vento, ali, graves, sérios, eruditos.
É certo que não poucos foram caprichos breves e sem importância...
Mas nos momentos melancólicos gostava de os percorrer.. detendo o olhar num ou noutro, rememorando antigas familiaridades, sorrindo com as lembranças... quantas vezes me sobressaltando com algum traço ainda desconhecido e fascinante!
Ai de mim... nunca mais... nunca mais...
Não faltará quem diga que este vazio vem por bem! Pois não é sonho de tantos varrer o passado, apagar de vez o tempo perdido, recomeçar do zero, sem olhar para trás, com limpidez resoluta?
Assim seja.
Não perderei mais horas nocturnas tentando encontrar-vos... Ide! Segui vosso caminho! Coração, não suspires! Olhos, não verteis lágrimas!
Adeus, adeus para sempre links perdidos que por trama informática acabasteis de desaparecer da minha coluna de favoritos.

A realidade ultrapassa a ficção: o dedo mindinho de Luís Filipe Menezes.


O presidente da Câmara de Gaia oferece o seu dedo mindinho se um centro cívico não for construído a tempo. Não, não foi no Inimigo Público.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Democratas e espírito crítico.


Gosto da América por herança materna.
Politicamente, da América democrata. E os dois lados ficaram claros muito cedo: lembro-me de uns amigos da família, emigrantes de visita a Portugal, prometerem nova visita rápida se
este senhor ganhasse ao Nixon!
O malvado impediu novo convívio com essa gente simpática e de pronúncia forte e enrolada. E privou-me dos seus presentes fascinantes - roupas em tecidos sintéticos e berrantes, óculos escuros gigantes, chewing gum de marcas exóticas, pacotes de marshmallows, exemplares da Mad que nem conseguia ler...
Sempre gostei da América e quando o coração vacilava, bastava lembrar-me da literatura ou do cinema. Ou então, algo vinha refrescar a simpatia, como o Jon Stewart que só há pouco tempo conheci.
Por isso, fico contente com o resultado das eleições. Por motivos pequenos e sentimentais e porque Bush Jr era tão medíocre que até manchou o nome dos republicanos. Embora muitos, lá e cá, o continuem a defender.
A América é demasiado importante para o mundo. A sua influência continua a ser enorme e espalha-se acriticamente. Pelo simples facto de Bush e ultra-conservadores nacionalistas estarem no poder, ganharam estatuto de evidências alguns actos e pontos de vista bastante discutíveis.
A legitimidade da guerra no Iraque, por exemplo. A intervenção só começou a ser criticada de forma alargada há muito pouco tempo - e só depois de se ouvir o mesmo nos Estados Unidos. Outro exemplo: a recusa na ractificação do protocolo de Quioto foi vista como aceitável e compreensível e abriu caminho à ridicularização das teses sobre a limitação das emissões de gases com efeito de estufa para controlar o aquecimento global.
Tanto na política de guerra, como na do ambiente, os críticos passaram por radicais ou ingénuos.

Mas não sei porquê, parecem-me de bastante razoáveis e esclarecidos os participantes na actual Cimeira de Nairobi...
A política não pode ser a arte da verdade, mas assusta mais a falta de independência e de espírito crítico dos observadores.

sexta-feira, novembro 03, 2006

quinta-feira, novembro 02, 2006

Cantar cantores: Jacques Brel, Scott Walker, Neil Hannon.


(...)

Et alors s'il te faut des mots

Prononcés par des vieux
Pour justifier
Tous tes renoncements
Si la poésie pour toi
N'est plus qu'un jeu
Si toute ta vie
N'est qu'un vieillissement

Alors s'il te faut l'ennui

Pour te sembler profond

Et le bruit des villes
Pour saouler tes remords
Et puis des faiblesses
Pour te paraître bon
Et puis des colères
Pour te paraître fort
Alors alors
Tu n'as rien compris


Jacques Brel, S'il te faut, 1955


As letras de canções não são poesia, embora possam ser poéticas.

Jacques Brel foi, a propósito, considerado o maior belga de todos os tempos num concurso semelhante ao da rtp.

Da Bélgica... de Magritte, Georges Simenon, Hergé e pouco mais que me lembre. Injustamente com toda a certeza, Bruxelas que visitei há alguns anos pareceu-me uma cidade civilizadíssima e culturalmente bastante curiosa.

Sempre gostei de Jacques Brel. Gosto do seu excesso de emoção e da sua lucidez.


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É uma das influéncias confessas de outros dois grandes romãnticos: Scott Walker, cantor dos anos 60/70, hoje um pouco esquecido, e Neil Hannon, vocalista dos Divine Comedy.
Ambos, como muitos outros, cantaram canções de Brel. As versões não perderam a alma dos orig
inais.


Scott Walker canta uma versão de "Les filles et les chiens", CD Scott Walker sings Jacques Brel and others


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Divine Comedy, "Jakie", va_Next! Tribute do Jacques Brel


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