quarta-feira, maio 31, 2006

Orpheo ed Euridice, Rubens




"Che farò senza Euridice?
Dove andrò senza il mio ben?
Euridice!... Oh Dio! Rispondi!
lo son pure il tuo fedel!
Euridice... Ah! non m'avanza
Più soccorso, più speranza,
Né dal mondo, né dal ciel!
Che farò senza Euridice?
Dove andrò senza il mio ben?
Ma finisca, e per sempre,
Colla vita il dolor! Del nero Averno
Sono ancor sulla via: lungo cammino
Non è quel che divide
Il mio bene da me.
M'aspetta, ombra adorata! Ah, questa volta
Senza lo sposo tuo non varcherai
L'onde lente di Stige! Io sfido, o Numi,
Sin il vostro poter!"

"Che farò senza Euridice", Acto III, cena I, Orpheo ed Euridice, Gluck

Esta peça é das músicas mais bonitas que já ouvi. Nunca a consigo ouvir apenas uma vez e nunca me cansou.
E é tão doce e melodiosa que nem deixa adivinhar a tragédia - quando a ninfa Eurídice morre, Orfeu desespera e vai ao subterrâneo mundo dos mortos tentar resgatá-la. Hades e Perséfone consentem, desde que Orfeu nunca olhasse de frente o rosto da sua esposa. Antes de chegarem à superfície, Eurídice cansada sente-se desfalecer e pede um abraço ao seu marido, Orfeu não resiste e olha-a e perde-a.


Verbos antigos.




Retorquir

Chasquear

Alvitrar



Uns verbos perdidos que encontrei num livro que lia na infância.


Greve no mar .


"Falando dos peixes, Aristóteles diz que só eles, entre todos os animais, se não domam nem domesticam. Dos animais terrestres o cão é tão doméstico, o cavalo tão sujeito, o boi tão serviçal, o bugio tão amigo ou tão lisonjeiro, e até os leões e os tigres com arte e benefícios se amansam. Dos animais do ar, afora aquelas aves que se criam e vivem connosco, o papagaio nos fala, o rouxinol nos canta, o açor nos ajuda e nos recreia; e até as grandes aves de rapina, encolhendo as unhas, reconhecem a mão de quem recebem o sustento. Os peixes, pelo contrário, lá se vivem nos seus mares e rios, lá se mergulham nos seus pegos , lá se escondem nas suas grutas, e não há nenhum tão grande que se fie do homem, nem tão pequeno que não fuja dele. Os autores comummente condenam esta condição dos peixes, e a deitam à pouca docilidade ou demasiada bruteza; mas eu sou de mui diferente opinião. Não condeno, antes louvo muito aos peixes este seu retiro, e me parece que, se não fora natureza, era grande prudência. Peixes! Quanto mais longe dos homens, tanto melhor; trato e familiaridade com eles, Deus vos livre! Se os animais da terra e do ar querem ser seus familiares, façam-no muito embora, que com suas pensões o fazem. "

Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes

texto completo

Onde vais estar no Mundial de Futebol?


Esta parece-me uma bonita bandeira para pôr à janela.

De resto, é como diz o meu amigo, ostenta a bandeira nacional quem o país trata pior.

O país da bandeira.





segunda-feira, maio 29, 2006

Todos os dias desfazendo e fazendo de novo.

perhaps the palm of the hand
has to turn into the back of the hand
perhaps life
has to be taken apart and then put back together again
to see what life really looked like
I once climbed up onto the roof, but it was no good
the scenery beneath me was like a fine trickle of water
overhead, the Dipper turned, stars shifted
in a flash Beauty whizzed by me
too quick to leave me longing
Heavenly bodies, Duo Yu
sobre ele, no Poetry International.


sábado, maio 27, 2006

Um capitão da Bulgária.

Este barco monumental e ferrugento estava hoje em frente a Sta Apolónia em Lisboa.
Chama-se Kapitan Georgi Georgiev,
nome de herói romântico - um intrépido e estimado oficial da marinha búlgara.

Desconheço ao que vem o barco. Desconheço também quase tudo sobre a Bulgária...





The fading day is dying, staring through haze


into the night which creeps in. Just come -


The night is slowly waving her wings of darkness.


with gems and jewels covered.


Come, let us watch: the night will tremble


with her shoulders and it will die


the dream of shining stars...


And quietly she whispered through sullen haze:


"No knowledge I desire..."





And look: leaf-stars begin to fall


(She fell asleep awating nothing...)


And look, the grooves of fire


vanish suddenly into the dark


with moans of hopeless sorrow.


(And shivering through dreams and sullen haze


she whispers: "No knowledge I desire..."

Trifon Kunev, Umira Pobledneliy Den... / The fading of the day is dying...


quinta-feira, maio 25, 2006

dia da espiga ou quinta feira da ascenção













guardo o raminho pueril e colorido e sem religião sou igual ao meu povo pouco temente mas muito crente











quarta-feira, maio 24, 2006

A poesia fala com voz baixa.


Maria Maddalena, Giotto, particolare del Noli me tangere


No belo Letteri Café conheci Antonio Porchia (1885-1968), poeta de uma única obra, Voces, que me parece revisitarei muitas vezes. Agora ficam uns excertos ao acaso.


Pueden en mí, más que todos los infinitos,
mis tres o cuatro costumbres inocentes.

Y si llegaras a hombre, ¿ a qué más podrías llegar ?

Nada no es solamente nada. Es también nuestra cárcel.

He llegado a un paso de todo. Y aquí me quedo,
lejos de todo, un paso.

El dolor no nos sigue: camina adelante.

En plena luz no somos ni una sombra.

Mueren cien años en un instante,
lo mismo que un instante en un instante.

La confesión de uno humilla a todos.

Sí, me apartaré.
Prefiero lamentarme de tu ausencia que de ti.

Quien dice la verdad, casi no dice nada.

Para que tu tristeza muda no oyese mis palabras,
te hablé bajito.

Os trabalhos do amor.






Quase timidamente, Tiago confessou que conhecia a banda. Até tinha almoçado com eles um dia - obra da Cláudia, bela e promitente cantora de rock que, em tempos, ele seguira para todo o lado. Mas o nirvana da Cláudia era estar perto do baixista da tal banda... Preso a uma esperança teimosa, Tiago persistiu e dedicadamente foi partilhando os concertos, os autógrafos, o movimento do backstage... já era roadie quando Cláudia perdeu o interesse no baixista - agora andava caída pelo charme rétro do vocalista! Felizmente a afronta já não fez mossa. Tiago exclamou para si próprio:
- Espera lá... eu nem sequer gosto dos Belle Chase Hotel!
Partiu de vez. E ainda hoje faz uma careta quando eles tocam.


O caso, verdadeiro, nem foi assim tão indigno. Mas, sim, o amor dá trabalho... ou melhor, por amor damo-nos ao trabalho...

A poesia dá ar ao real.


László Moholy-Nagy, Dual Form with Chromium Rods, 1946.


15

Se nas palavras vou um pouco sempre

adiantado, como uma quimera

daquelas bem reais que têm bico

e corpo de lagarto? e rosto humano?

é que também não vivo neste instante

mas noutro, inteiramente coincidente.

Jamais aceitarei que o mundo seja

vago manto de montanhas,

alguns bichos na água, outros em terra,

outros voando em fútil incerteza.

Se me prendo ao teu rumor ausente

não é que me consuma numa imagem

ou deseje real o imaginado;

é por outro real em ti presente.


António Franco Alexandre,
de Duende, Assírio e Alvim, 2002



Mesmo nem sempre fácil para mim,
gosto muito deste poeta que estudou matemática e filosofia.

terça-feira, maio 23, 2006

A nossa falta de jeito para a felicidade.


Um psicólogo de Harvard, Daniel Gilbert, estuda o que nos faz felizes. Distingue-nos dos animais por termos a capacidade de imaginar a felicidade futura, no entanto salienta que estamos constantemente a fazer escolhas erradas.

"The human brain mispredicts the sources of its own satisfaction," Gilbert says, "and the reason is that we fail to understand how quickly we will adapt to both positive and negative events."

Felizmente para nós, o cérebro tem dispositivos que nos fazem acomodar a situações que acreditávamos impossíveis - o que parece bastante fácil de comprovar.
E então o mesmo cérebro não consegue prever a felicidade? Sim, diz o autor, observando e aprendendo com o que faz feliz e infelizes os outros.

"Most of us have the illusion of uniqueness," he says. "We believe that other people's reactions won't tell us about our likes and dislikes. But we are remarkably similar. We share the same biology, and others' experiences can teach us a great deal about our own. "As long as we maintain our illusions about our uniqueness, we will continue to ignore information that's in front of our noses."

Quem sabe...? Se calhar não somos felizes por falta de humildade.





A lentidão e as perguntas do tempo nocturno.

Sábado à noite a rua das Janelas Verdes tinha mais uma capelinha - o Museu de Arte Antiga, de portas abertas noite adentro. A recém chegada colecção Rau tinha bicha, os corredores, o jardim e a cafetaria do Museu fervilhavam.


Em local mais sossegado - a belíssima sala de conferências do Museu - assisti à longa conversa entre Manoel de Oliveira e João Bénard da Costa. Um filme sem vaidades realizado por Rita Azevedo Gomes e filmado no Museu de Arte Antiga.
Com a Anunciação de Da Vinci em fundo, a câmara deixa correr a conversa entre duas pessoas que notoriamente se estimam e admiram.

Num jardim Zen que Oliveira visitou havia 15 pedras, mas, segundo a guia, só 14 se podiam ver. A 15ª só se via com o coração. O realizador constatou que de cada vez e em cada posição que se colocava no jardim, só se via 14, mas, de facto, todas lá estavam.
A este episódio, ao olhar do realizador, Rita Azevedo Gomes vai buscar o título do documentário: " A 15ª Pedra".

Não sei bem se era uma entrevista. É certo que havia as perguntas do Bénard da Costa e as respostas de Oliveira - que terminavam frequentemente com um "não lhe parece que é assim?". Mas sobretudo transparecia a sabedoria, se o termo não é muito pomposo, e a sintonia que faz deles interlocutores perfeitos um do outro.
Pode-se assistir a duas horas de conversa entre pessoas assim?
Será apenas uma questão do tempo, tema de que muito se falou na entrevista, que estamos dispostos a oferecer à compreensão do mundo?

Dois homens que não fazem nada de novo.

As tradições ou preconceitos familiares - difícil distinguir - fizeram com que só muito tardiamente conhecesse mais do que a rota Lisboa - Serra da Estrela.
O sul, sobretudo, era para mim um deserto.
Mais ficou para descobrir.
Lembro-me de há poucos anos ficar deslumbrada com Beja, um casario fresco e branco que me aparecia ao longe na planície.


Este fim de semana apeteceu-me explorar de novo paragens mal conhecidas.
No singularíssimo Lugar Ao Sul de Rafael Correia, um jovem engenheiro de forte sotaque algarvio falava da recuperação do Castelo de Paderne.
Certamente enfeitiçado pela alma de uma princesa moura, ia desfiando as razões que o prendiam à obra - de como o castelo tinha sido feito com terra e sobrevivia há mais de 800 anos, da sua proporção harmoniosa à escala do homem, de como tudo ali tinha um sentido ligado à história e à preservação da natureza e de um modo de vida. Este técnico que tinha participado na construção da Ponte Vasco da Gama ficava agora perplexo com o gigantismo de 13 km de betão precário. A sua nova causa era a reconstrução. E concluia:
- "Nunca mais quero fazer nada de novo".






terça-feira, maio 16, 2006

Do outro lado do mundo.

"Love scene goes wild in 'Apparao Driving School'

Mumbai-based actress Malavika's recent trip to Hyderabad has allegedly turned out to be a nightmare.
Apparently, her hero got a trifle realistic in the love scene. "It was a first-night scene between Dr Rajendra Prasad and me," recalls Shweta about her experience on the sets of 'Apparao Driving School' .
"There was a bed with transculent curtains around it. So nobody could clearly see what was going on. The director asked me to just lie down on the bed.
The hero and I were meant to make it look like something was going on between us.
On the first take, he was OK and didn't do anything. But during the second take he pecked me on the lips.
I was so infuriated that I told the director I can't do the scene anymore and went back to my hotel." Shweta, who flew back to Mumbai after the incident, was last seen in Ram Gopal Varma's Darna Mana Hai.
The actor, Dr Rajendra Prasad, responds :
"It was an accidental moment. I was instructed to get more intimate for this scene. While turning my face, my lips brushed against hers. I've introduced 34 heroines in my 26 years. I don't have a single remark against me." "

Bollywood é irresistível... um filme sobre uma escola de condução, o galã resfolegante (adivinha-se) da foto, a jovem inexperiente e perdida...

E tudo se insinua e nada se mostra. Nem a fingir.
Da Índia, onde, dizem, muito antes de Cristo Vatsyayana escreveu o Kama Sutra.

sexta-feira, maio 12, 2006

Semana Ilustrada

Com o computador doméstico fora de serviço e o tempo de trabalho um pouco alucinado, as ideias que quero registar no blog ficaram por aí à solta. Pouco tempo para reflectir ou ler as sugestões que o pingue pongue e o Nuno Gouveia me trouxeram. Fui apanhando umas notícias ao longo da semana, junto-lhe imagens para ficarem para a cápsula do tempo.



estamos com medo de ficar sem famílias de muit
os bebés porque as maternidades estão a fechar



um senhor pagou uma multa de 400 euros porque conduzia há 34 anos sem carta de condução



coleccionar selos... havia quem pensasse que assim se podia enriquecer facilmente mas ao que parece isso só aconteceu aos donos das empresas que agora começam a ser julgados em Espanha.



também em Espanha uma associação sugeriu um dia sem TV, é uma experiência interessante... eu estou a fazê-la vai para 3 anos




sexta-feira, maio 05, 2006

Lisboa em fim-de-semana.

Lisboa com suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas

De várias cores ...

À força de diferente, isto é monótono,

Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,

Na lucidez inútil de não poder dormir,

Quero imaginar qualquer coisa

E surge sempre outra (porque há sono,

E, porque há sono, um bocado de sonho),

Quero alongar a vista com que imagino

Por grandes palmares fantásticos,

Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,

Que Lisboa com suas casas

De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.

À força de monótono, é diferente.

E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,

Lisboa com suas casas

De várias cores.


Álvaro de Campos





quinta-feira, maio 04, 2006

quarta-feira, maio 03, 2006

subliminal learning




ok... os autores desta.. faixa... prometem que ouvindo ficaremos a cantar a "Tintarella di Luna" em pouco tempo. Não, não é um cd "new age" com sons da natureza... trata-se um método subliminar de aprender italiano... hum...


Do not go gentle into that good night

"( ... )
Curse, bless me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light."

Mais uma vez, agradeço ao pingue-pongue de Coimbra, que pode sentir-se longe dos ciclos de cinema, mas nem por isso a leste do que é importante.
Compreendo bem como o Dylan Thomas, em quem não tinha ainda demorado muito tempo, se tornou um herói de culto.
"Do Not Go Gentle Into That Good Night" parece-me que pode ser mais, bem mais, do que o amor desesperado do poeta pelo pai.
Há muitas noites, muitas escuridões, muitas mortes que nos atraem. É preciso resistir e não apagar a luz.

terça-feira, maio 02, 2006

Carlos Paredes, Edgar Pêra e 12 cordas de uma guitarra portuguesa.

Movimentos Perpétuos foi o nome de um recente projecto cultural que procurou criar recursos e fundos para iniciar a pesquisa e recolha do espólio de Carlos Paredes. A ideia, já virtuosa, era ainda mais interessante pelo método como pretendeu recolher os fundos: pedir a escritores, poetas, cineastas, artistas plásticos e outros um presente para Carlos Paredes, uma obra original cuja venda reverteria no todo ou em parte para o projecto.

Num dos eventos, Gonçalo M. Tavares falava de como era importante fazerem-se coisas, materializarem-se os projectos em obras. E, de facto, algumas coisas os Movimentos Perpétuos deixou feitas: um CD duplo, um livro de textos, um álbum de BD, curtas-metragens, um ciclo na Cinemateca, uma exposição e catálogo de artes plásticas. A lista dos nomes que participaram é imponente, lá encontramos muitos dos principais nomes da criatividade contemporânea portuguesa – alguns amigos de Carlos Paredes, outros seus admiradores e outros que foram à sua procura, instigados pela curiosidade do convite para os Movimentos Perpétuos.

Um filme de Edgar Pêra fecharia os “movimentos”. Após mais de um ano relação ao último – “Arte para Carlos Paredes”, a exposição na Coordoaria – “Movimentos Perpétuos”, o filme, ganha 3 prémios no Indie Lisboa e tem estreia marcada para o circuito comercial.

É um filme maravilhoso e comovente, contado pelo próprio Carlos Paredes. Está dividido em “movimentos”; diferentes momentos marcantes do percurso do músico. Alguns apenas fragmentos, flashes. No entanto, o resultado é coerente e muito rigoroso. Fica clara a importância e a genialidade de Paredes, o seu impacto nos seus contemporâneos e na história da música, a sua erudição mascarada por uma humildade militante.

Edgar Pêra foi considerado este ano um dos heróis independentes do Indie. E é justo, o seu caminho é corajoso e resistente. Não admira que fosse assim inspirado por outro herói independente como Carlos Paredes.

Algumas cordas que o filme tocou:

  1. O português muito puro de Carlos Paredes.

  2. A cores vibrantes pintadas na tela a dançar ao som da guitarra.

  3. Paulo Rocha no alto de uma varanda a abençoar o realizador.

  4. O amor com que Edgar Pêra filma Paulo Rocha.

  5. O olhar fixo de Paco Ibanez nas mãos de Paredes enquanto toca.

  6. O orgulho com que Paredes fala do pai.

  7. Um companheiro de prisão mostrando como ele dedilhava sem parar no cárcere.

  8. A veemência de Avelino Tavares, da editora Mundo da Canção que organizou o seu primeiro concerto ao vivo – Porto e já em 1984.

  9. A respiração do guitarrista que acompanha sempre os acordes.

  10. A sua lucidez que nunca impunha aos outros. O sorriso bondoso que não poupava.

  11. O mistério insondável da música. Das emoções, dos sentidos adormecidos que desperta.

  12. As palmas do público no final da sessão de cinema.