sexta-feira, março 31, 2006

nada chega tão ao fim e nada é tanto sem fim: poesia




"  i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart) "


e.e. cummings





... uma pausa para um pouco de lounge


(estava a leste, mas soube agora que este ano o Burt Bacharach ganhou o Grammy pelo Melhor Álbum de Pop Instrumental
"At This Time"... há quantos anos ele anda por aí... ?)


ainda a mentira de mark twain

a sério... é um tema fascinante. Enrique de Hériz, um escritor espanhol contemporâneo, acaba de publicar em Portugal "Mentira", sobre uma história de família inventada.
O título parace simples e completo demais. Também ao próprio pareceu, ouvi-o dizer que fez uma pesquisa para saber se em Espanha estaria algum livro publicado com esse nome e ficou surpreendio por não ter encontrado.

Não defendo a mentira... aceito que toda a gente mente, aceito que as crianças contem histórias coloridas sobre a sua vida, acho divertido que alguns adultos o façam... mas enganar, não... é uma fina fronteira... difícil de explicar.

Subscrevo o Mark Twain:

"Lying is universal--we all do it. Therefore, the wise thing is for us diligently to train ourselves to lie thoughtfully, judiciously; to lie with a good object, and not an evil one; to lie for others' advantage, and not our own; to lie healingly, charitably, humanely, not cruelly, hurtfully, maliciously; to lie gracefully and graciously, not awkwardly and clumsily; to lie firmly, frankly, squarely, with head erect, not haltingly, tortuously, with pusillanimous mien, as being ashamed of our high calling. Then shall we be rid of the rank and pestilent truth that is rotting the land; then shall we be great and good and beautiful, and worthy dwellers in a world where even benign Nature habitually lies, except when she promises execrable weather.
(...)

Joking aside, I think there is much need of wise examination into what sorts of lies are best and wholesomest to be indulged, seeing we must all lie and we do all lie, and what sorts it may be best to avoid..."

in "On the decay of the art of lying"

The decay of the art of lying



O belo título é do Mark Twain. A arte de mentir...
A mentira interessa-me. Sim, há o aspecto moral... mas muitas vezes a mentira não é assim tão condenável quanto isso.
Há algumas até, bastante saudáveis - as histórias que crianças e adultos contam para dourar a sua vida, as mentiras que defendem os que nos são queridos, as que nos protegem do insuportável...

E de qualquer forma, são muito mais irritantes os caçadores de mentiras! Já para não falar dos que mentem para caçar mentiras - os que espreitam, revistam bolsos, coleccionam datas, episódios e indícios para tramar os outros.
Isso sim, é desprezível.

Talvez concorde com o Mark Twain... continua a haver mentiras, sim, mas rascas...
as boas e grandes estão em decadência...

(link para audio book)

Para que se pede uma opinião?

A Lisboagás ligou. Na qualidade de nova cliente, queriam saber tinha ficado satisfeita com a instalação... bom... dificilmente se fica insatisfeito com a instalação do gás de cidade... quer dizer, de quantas formas se pode ligar um tubo ao fogão... ? Hummmm.. talvez eles dêem duas semanas de experiência... e suspirem de alívio quando o cliente atende o telefone "Uff.. estes não rebentaram..." Talvez seja essa a verdadeira razão porque ligam.
Mas perguntaram a minha opinião.
E insistiram... e como insistiram três vezes, decidi não murmurar apenas.
"Acho que que não devíamos ter de pagar in loco aos técnicos que vão fazer a inspecção". Sim, eu sabia que não eram da companhia, sim eu sabia e até concordava que era preciso fazer a inspecção. Até admitia que o trabalho tivesse um custo. A minha opinião é que, sendo o contrato com a Lisboagás, ficava um pouco confuso ter de pagar a outra entidade, talvez isso pudesse ser feito tudo através da mesma companhia.
Não é nada de mais... nem sequer uma crítica, apenas uma opinião... ninguém fica prejudicado e se nada se alterar, o serviço continuará a ser bem feito.
Mas defenderam-se, rebateram, apresentaram argumentos como se eu estivesse a fazer uma reclamação!
Um pouco despropositado... se não queriam saber a minha opinião porque é que perguntaram...?

Mas há muita gente assim. Parecece-me até a maioria.
O que pensamos quando pedimos uma opinião e ela não coincide com a nossa...? quantas vezes estamos mesmo dispostos a ouvir...?