quarta-feira, outubro 26, 2005

notícias quizz show

não há mesmo como voltar atrás...? O espectáculo está a ficar mais sério do que a informação.
Há pouco no noticiário da manhã da TVI um apresentador dizia entusiástico: "e agora vamos para intervalo, mas temos uma pergunta: em que ano foi o massacre do cemitério de Santa Cruz?" e no memo tom dava 3 opções de data. Ok, ok, eu já vi isto. Na CNN fazem o mesmo, mas tanto quanto me lembro está só escrito, não é anunciado em tom de concurso.
Chocou-me.
Ontem, uma ex-jornalista falou-me do "jornalismo positivo", pelos vistos a "filosofia" por detrás da revista Sábado.
ai... pensar dá tanto trabalho

segunda-feira, outubro 24, 2005

E Tudo Era Possível (click english version)

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo

domingo, outubro 23, 2005

e por falar em lógica




de um momento para o amor pode ser lógico

Hazel Miller Band
Acabei de descobrir, banda fantástica e a voz dela...! É bom ouvir interpretações pouco clássicas de temas conhecidos.

sábado, outubro 22, 2005

Lógica desirmanada

Participei uma vez a num fascinante “jogo da lógica”. Uma pessoa pensa numa lógica. O grupo à volta vai dizendo palavras a que o primeiro responde sim/não, de acordo com a lógica que criou. Se a lógica é “verde”, “sapo” e “espinafres” estão correctos. Se a lógica é “palavras começadas por – v – “, então “vermelho”; “violeta” e “vitória” estão correctos e coerentes.

Muitas vezes criamos a nossas lógicas de comportamento e funcionamento que pensamos serem claras e evidentes para todos… OK, exemplo doméstico: muitas toalhas de banho brancas. Qual é a de quem? “A tua é do varão da direita, a tua a do cabide..:”. Não funcionou. Então cosemos fitas de cor, a pares, nas tolhas grandes e nas de rosto. Assim seria fácil:”tu tens as amarelas, tu as azuis…”. Tão simples que nem seria preciso explicar a ninguém. No dia seguinte, não havia um único par de toalhas da mesma cor na casa de banho. Alguém foi ao armário buscá-las, alguém contou quantas eram precisas e não se preocupou minimamente com o critério cor, tão básico e evidente.

As lógicas são internas, pensamos nelas e auto-convencemo-nos da sua infalibilidade. Tanto, que nem as comunicamos.

Então, parece que passa tudo pela linguagem. Passa tudo por um falar comum, que reconheça a lógica como lógica.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Vorfreude

Hoje ouvi esta palavra, esta ideia, pela primeira vez.

Literalmente “antes da alegria” ou “pré alegria”, os momentos antes de usufruir de outros momentos de felicidade.

É uma sensação quase infantil, uma agitação miudinha, um formigueiro pela garganta acima… humm.. sabe bem.

quinta-feira, outubro 20, 2005

sad, sad, Outono

O Outono é tão bonito e melancólico que até dói. Não só as folhas se arrastam pelo chão das ruas sem muita vontade ou querer. Sad pensava eu, o tal sindroma que afecta a passagem das estações. Mas estava enganada… A Seasonal Affective Disorder parece ter mais a ver com a falta de sol. Andei a vender esta teoria a um ror de gente… Mas também é interessante sermos “desconvencidos” de uma ideia. Eu gosto.

terça-feira, outubro 18, 2005

damsel in distress

Domingo cinzento saio para rua.
A cidade está desolada mas, mesmo assim, sabe bem o cheiro a chuva, o frio a gelar a cara!
Pela mão, o carrinho de compras. Passo ligeiro, cabeça distraída. Distraíd… ah.. espera, a minha carteira…? Que disparate, não tenho dinheiro para as compras! Bom, volto atrás.
Mas.. se não tenho a carteira, se não tenho a mala…não é possível... as chaves de casa...?
Oh não! Deixei tudo lá dentro!
Volto atrás, pensando rapidamente... há uma chave a 1 hora de caminho... mas como lá chegar se não posso entrar no carro ? Entrar pela janela da cozinha… não, não… quatro décadas de decadência não me permitem acrobacias…
Olho em volta... desolada…
Em jejum, cabelo ainda molhado, dia de chuva… sem poder entrar em casa, sem dinheiro, sem telefone, sem carro... vou sentar-me no degrau do prédio e chorar...

Bom, antes talvez vá ali ao café da esquina. Despachada e de espírito prático, a dona desaconselha as 'chaves do areeiro' e recomenda-me os bombeiros. Peço uma lista e chamadas fiadas.
Dois telefonemas e sou salva pelos Sapadores. Não, não acham estranho o meu pedido, conferem que porta não ficou fechada à chave e tomam nota da morada…
Passados 15 minutos dois moços estão à porta do prédio. Delicados e corteses explicam que ainda é preciso esperar pela polícia. Finalmente chega a patrulha, não tão lesta, mas também educada. E com a bênção das autoridades, os bombeiros sacodem violentamente a porta enfiando... algo que não revelo. Depois de alguns minutos de bastante ruidosas sacudidelas, voilá...! Que alívio!

Fico a pensar se, portuguesmente, lhes devo dar gorgeta, mas refreio-me… um beijo em cada face… ? ok, ok, é melhor não…

Depois da identificação e formalidades... penso que tipo de acto falhado me faz ter abandonado todos os haveres…

Momento de serviço público: em caso de porta fechada ou aflição semelhante, contactar o eficiente, amável e gratuito Batalhão Sapadores Bombeiros.

E em honra destes bravos moços e sempre daquele tão inocente disto tudo e que me re-apresentou a Bossa Nova…Nara Leão, Rapaz de bem.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Literacia e procissões



“- Na minha aldeia as festas são mais pagãs… mais sérias. Não há bailaricos, é mais para as pessoas pagarem as promessas.”

'Pagã' inclui-se assim na familia de 'pagar' no meu país de iliteracias e procissões (quem falava assim? o O'Neil... ?)

- a foto, o estendal, é uma boa ideia do Café Royale, no Largo Rafael Bordalo Pinheiro - paralelo ao Largo do Carmo - cool e com comida biológica. Verrrry new age....

sexta-feira, outubro 07, 2005

Paradise Lost, John Milton



Which way shall I fly
Infinite wrath and infinite despair?
Which way I fly is hell; myself am hell;
And in the lowest deep a lower deep,
Still threat’ning to devour me, opens wide,
To which the hell I suffer seems a heaven.
John Milton, Paradise Lost. Book iv. Line 73.

suspiro... tanto que vale a pena ler, tanto por que não vale penar
música: Nina Simone, Do what you got to do

segunda-feira, outubro 03, 2005

Blue


Picasso, Nú azul, 1902

Pior que uma tristeza, só uma tristeza estéril.

de novo... o sol e a lua



Um eclipse total do sol !? well that's really something...
Esta canção é muito pomposa e muito antiga, conheço-a de infância. A minha versão preferida não seria a do Sinatra que, francamente, só tomo em doses minúsculas. A Astrud Gilberto ou a Lisa Ono cantam-na muito melhor.

sábado, outubro 01, 2005

Propaganda

Ontem comentava no trabalho que estava indignada por uma empresa portuguesa como a Portugal Telecom ter contratado os serviços de uma agência de publicidade brasileira, a África gerida pelo poderoso Nizan Guanaes.
Sim, ok, pode ser moralismo, mas não soa bem. É o meu dinheiro... porque vai um administrador para o Brasil gastar o meu dinheiro... ? hum, será que estou a cair na conversa de taxista...?
À minha volta houve uma reacção paternalista (até me passaram uma mão pela cabeça, imagine-se!) e outra irritada - da qual tive de me defender. Diziam-me que não valia de nada a indignação, esta e outras, se as pessoas não se organizassem para tomar atitudes reais. Tive de dizer que eu, arraia miúda, não tinha nenhum poder de decisão... Para me defender, é certo, mas... uma pessoa pode indignar-se sem ter de saber como se resolve o problema, não pode...?

Um filme datado e um tabú persistente


Inside Deep Throat mostra como, à excepção dos suspeitos do costume, todos os participantes no “filme mais rentável de todos os tempos” não tiveram um destino famoso. Também confirma que a realidade ultrapassa a ficção.

Linda Lovelace publicou um livro, foi protegida pelas feministas, perdeu empregos por causa do seu nome e aos 50 anos tentou rentabilizar a fama posando para uma revista. Terminou sem glória. Incrível é que depois da sua morte, em 2002, a sua filha tenha tido de recusar o convite para protagonizar um “Deep Throat 6”… (já tantos !?).
O “Dr. Young”, condenado à prisão na altura, passou a década alcoólico e, depois de mendigar nas ruas, é hoje um conservador profissional do “real estate”. Um modesto idoso foi o realizador que há 40 anos partilhou com muitos homens e mulheres uma aventura: produzir um tipo de cinema barato, acessível e que parecia fazer parte da revolução sexual da época.

O filme está cheio de testemunhos e material da época. Os depoimentos têm aquela qualidade espontânea e à-vontade que os americanos parecem demonstrar com as câmaras. Um dos melhores momentos é o da esposa de um velho distribuidor de Miami ou da Florida a protestar com o marido e os realizadores do documentário a propósito de declarações sobre o envolvimento da Máfia.

Apesar das feministas, do amor livre a da descoberta da pílula (a única verdadeira revolução) o sexo permaneceu tabú. Não se mudou muito em desde a época. Há poucas semanas a Administração Bush decidiu lançar um programa de combate à pornografia adulta, levando o FBI a recrutar um “porn squad”, com os comentários internos e externos esperados.

Já em tempos a cadeia de TV americana PBS perguntava: “American Porn, it’s a multimillion dollar business – and growing, in wired world can anyone stoo it?” .
O estudo é extenso e ainda está o seu site It's one of the hottest industries in America. Easier to order at home than a pizza, bigger than rock music, it's arguably the most profitable enterprise in cyberspace. AT&T has been in the business. Yahoo! has profited from it. Westin and Marriott have made more money selling it than selling snacks and drinks in their mini-bars. And with estimates as high as $10 billion a year, it boasts the kind of earnings that most American businesses would envy.”

Entre nõs...? Já nem se pede revolução, mas porque não conseguimos fazer nada credível pela educação sexual?