quarta-feira, setembro 28, 2005

15 dias 23 horas e 23 minutos para que o céu nos caia em cima da cabeça


Vai sair o 33º volume do Astérix.

Apesar de ser o meu favorito, reconheço que os últimos volumes de Urdezo a solo são fraquitos.
Li algures que o próximo irá redimir os fãs.
Eu tenho fé.
O pai de uma querida amiga comprava-lhe a BD exclusivamente em francês para que ela fosse aprendendo a língua.
hum... e eu que suspiro quando meus doces rebentos lêem demasiada BD, temendo pelo seu domínio da língua mãe...

Será que os meninos australianos, chineses, austríacos, irlandeses, italianos também pensam que o Astérix e o Obélix são os SEUS amigos... e que a sua voz verdadeira é a que grita na sua cabeça "estes romanos são loucos?"
enfim... felix qui potuit rerum cognoscere causas *
... o latim do Astérix, o único que alguma vez aprendi :)

Acima uma página checa...
isto porque não foi possível guardar a imagem da próxima capa,

AQUI DENTRO.


* feliz quem pode conhecer a causa das coisas, Virgílio, no original, e citado no Astérix na Córsega e na Viagem de Obélix

terça-feira, setembro 27, 2005

Dois caminhos para uma poesia

1º caminho: sou cada vez mais incapaz de dizer o que é ser feliz.

(lembro-me, lembro-me muito bem, de um tempo em que dizia “se sou feliz? devo sê-lo porque não me faço essa pergunta”. Esse tempo não é o de agora.)

A paz, a paz interior parece-me cada vez mais ser algo que vale a pena a alcançar.

2º caminho: durante cerca de 2 anos, não há muito, as minhas leituras eram quase exclusivamente alimentadas de poesia. Algum reflexo se espalhou aqui, levando o meu amigo L. a perguntar retoricamente se eu gostava muito de poesia… como quem diz: “talvez seja um pouco demais, não…?”

Porque Gosto de Poesia é um bom título para uma colecção, porque não sou editora será um próximo post.

Para agora, o que me interessa dizer é que fiquei embaraçada com o comentário. Tentei deixar a poesia arrumada na prateleira. Afinal de contas, há uma certa preguiça mental em escolher as palavras encontradas por outros para exprimir aquilo que nós queremos dizer. Mas, mas… a poesia continua a ser uma revelação, quando recebi esta de um dos meus fornecedores habituais, alguma luz se acendeu.
Vou deixá-la acesa aqui.


A Shop That Sells Peace

He sells peace in the neighbourhood.
His shop
of loudspeakers
is right next to my house.
I pay him a hundred rupees a month
for not playing the loudspeaker
two hours before sunrise.
He knows that I am
one of those unfortunate people
who cannot live
without peace!
He knows
that in the days to come
peace will be even scarcer
than clean water and clean air.
He knows that
the age of revolutions is over
and in order to fill his stomach
he must sell
peace.
I am grateful to him.
In a country like India
where prices have skyrocketed
a hundred rupees a month
for two hours of peace
is not expensive.
Kunwar Narain, India

quinta-feira, setembro 22, 2005

Dei a chave de minha casa a um moreno

Pronto.. ultrapassámos esta etapa! Creio que, sem dizer nada, já há algum tempo ambos pensávamos no mesmo. Afinal de contas é o caminho natural numa relação deste tipo… todos os pequenos indícios já lá estavam… e já passámos tanta coisa juntos! Momentos de euforia e encantamento, dias pesados de rotina, algumas noites em branco…até tristezas e doenças partilhamos naturalmente.

Aconteceu há dias, quando vi o seu rosto fechado e entristecido. Uma pergunta por fazer. Como sempre, coube a mim adivinhá-la. Parece que continuarei ainda com este papel: o de ir pacientemente tacteando, desenrolando o novelo… Os “nada”, “deixa”, “larga-me”…irritam-me (deuses como me irritam!) mas respiro fundo…

Tentávamos conciliar horários, o sai e entra diários são mais complexos agora, fica ridículo estar dependente… e finalmente uma pista: seria mais fácil se tivesse a chave…

Sorri interiormente, “ok… então chegou o momento… eu estou pronta!”. Fiquei feliz por ele também estar. E ali mesmo passei a minha chave de casa para a mão do meu filho crescido.


sexta-feira, setembro 16, 2005

Last good day of the year

As escolas recomeçam… Hoje vi uma menina muito pequena com um bibe muito novo de cores azuis muito vivas. Palrava e quase dançava na rua, a caminho da escola… deuses, parecia tão feliz!
Que bela idade! Que bela e boa idade, como a os little people da minha casa que na véspera do regresso à escola não conseguem dormir de excitação! Os olhos brilham com o estojo nova, as folhas que cuidadosamente são enfiadas nas argolas do dossier, a mochila já à mão e pronta dias antes…
E o ar está assim… suspenso, à espera de saber como preencherá as suas horas.
E o ar está de despedida.... adeus, adeus dias preguiçosos, adeus fim de tarde, adeus noites acordadas sem remorso do sono do dia seguinte.

Melancolia é a banda sonora do dia. Uma música antiga para estender um pouco mais os dias devagar.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Notícias que não passarão à história porque são demasiado difíceis de explicar:

1. Jerónimo de Sousa candidata-se e discursa contra o candidato da direita antes mesmo de ele existir.
(É de alguma forma notável… o candidato da direita, ainda antes de se chegar à frente, já ter oposição organizada e, leu-se hoje, até eventual director de campanha…)


2. “Hoje mesmo estamos a iniciar medidas para que um grupo de companheiras nossas convoque uma manifestação e para que a façamos no dia 21", disse o presidente da Associação Nacional de Sargentos, numa reunião de militares na Casa do Alentejo.

hum… também podiam ter combinado ir todos à concentração de cães organizada pela pedigree para o guiness... não desfazendo, também era uma boa ideia... fica para a próxima…


3. e no CM: “Gasolineiras feridas de morte pela lei”

… oh! vão fechar? deixar de vender gasolina? bicas? cervejas? obrigadas a oferecer 2 litros de gasolina por cada 10? A devolver o dinheiro dos aumentos de combustíveis desde 74?

nãã… a notícia continua “A partir de hoje os medicamentos podem ser vendidos fora das farmácias, mas a nova lei que entra em vigor coloca tantas exigências técnicas e limites que torna muito difícil, senão praticamente impossível, a sua venda nas gasolineiras.” Mas.. o que é que tem a ver…. ? Se não venderem aspirinas já não encho o depósito… !?
ah!... era um trocadilho! sem remédios… estão… feridas de morte...!


quero passar à clandestinidade

segunda-feira, setembro 12, 2005

:)

The Dante's Inferno Test has banished you to the Sixth Level of Hell - The City of Dis!
Here is how you matched up against all the levels:
LevelScore
Purgatory (Repenting Believers)Very Low
Level 1 - Limbo (Virtuous Non-Believers)High
Level 2 (Lustful)High
Level 3 (Gluttonous)Moderate
Level 4 (Prodigal and Avaricious)Very Low
Level 5 (Wrathful and Gloomy)Low
Level 6 - The City of Dis (Heretics)Very High
Level 7 (Violent)Low
Level 8- the Malebolge (Fraudulent, Malicious, Panderers)Moderate
Level 9 - Cocytus (Treacherous)Moderate

Take the Dante's Divine Comedy Inferno Test

quinta-feira, setembro 08, 2005

tens a certeza?

há dias ouvi perguntar: "mas... pode dar-me 100% de certeza?"
Respostas possíveis:
a) bom... mais ou menos... pode sempre haver qualquer coisa...
b) claro!
c) isso nunca.

Eu pensei... como se pode perguntar uma coisa destas? como se pode responder a uma coisa destas?
Pensando bem, é um paradoxo, como o"sou mentiroso".

tens a certeza...?
Como pode alguém ter o poder de antecipar não ter a certeza?
Só temos acesso à realidade que os nossos sentidos apreendem, à história que vivemos, ao que aprendemos e sentimos. Daí formulamos a nossa verdade. Uma verdade verdadeira.
É absolutamente redundante, uma perca de tempo (e um cansaço!) ter de explicar ... "isto é... na minha opinião.... tanto quanto eu sei... pelo menos para mim..."
Claro que sou eu, não sou porta voz de ninguém por amor de Deus!

Não, não tenho a certeza de nada, de um modo absoluto.
Agora, das "comezices", dos pequenos nadas..? oh sim, claro que sim.

pouco razoável

Desde que vou para a idade penso que o bom senso e a "razoabilidade" (horrível palavra) me têm valido de muito pouco. Devem ser usados em doses muito pequenas, se não viciam.

Na sequência, ocorreu-me nos últimos dias que o metro é um freak-show.