segunda-feira, agosto 08, 2005

viver devagar

Não deve ser verdade que o corpo e a mente precisem de férias. E terá quanto tempo esta ideia das "férias"? Há relatos de reis e raínhas passando temporadas noutros territórios... mas talvez apenas por razões de reino, para o monarca se ir mostrando.
Por outro lado, mesmo nos dias de hoje, penso que é apenas uma questão cultural.
Perdemos algures o equilíbrio e procuramos resgatá-lo nas férias? hum...não sei. Mesmo as férias de infância eram importantes...
Tão importantes que para muitos o ano começa em Setembro/Outubro. A cultura "new age" explora, aliás, essa ideia oferecendo motes como renovação, recomeço, novas vida, etc.
É atraente a ideia do começar do zero. Mas o zero é, claro, uma ilusão.
Está a acabar um ano, um ciclo. As férias servem para entrarmos no próximo da forma agradável e acolhedora. Andando com calma, olhando com tempo, respirando. Talvez as férias sirvam para nos ensinar que se pode viver devagar.

(foto procurada num satélite, uma boa ideia da google acessível a todos)



quarta-feira, agosto 03, 2005


Let the snake wait under
his weed
and the writing
be of words, slow and quick, sharp
to strike, quiet to wait,
sleepless .

William Carlos Williams
(foto: Mark Krauss)

terça-feira, agosto 02, 2005

kingfahdbinabdulaziz.com

Morreu o homem mais rico do mundo – o Rei Fahd , Fahd Ibn Abd Al-Aziz Al Saud. Os televisões da Arábia Saudita transmitem o Corão e a Espanha declara luto nacional. Ao que parece Fahd era a principal fonte de riqueza de Marbella. Aí tinha o seu palácio, El Rocio, réplica da Casa Branca. Da sua última visita à cidade malagueña sobram ainda números de pasmar:

- 3 000 pessoas na comitiva

- 3 Boeings 747 – 400

- 2 mil malas só na bagagem do rei

- 600 Mercedes alugados

- 50 limusinas

- 300 suites alugadas nos hotéis para a comitiva que não ficou no palácio

- 500 telemóveis alugados

- 13 milhões de euros gastos a modernizar o centro de telecomunicações instalado no El Rocio

- 4 iates de 200 pés

- 3 000 empregados temporários locais

e.. milhões de euros em gastos, gorjetas, compras, refeições… o suficiente, como se disse, para resgatar o Reino de Granada aos Reis Católicos. A Hola deve delirar…

Arábia Saudita é o único país do mundo com um nome derivado da família reinante: os príncipes da Casa de Saud. São eles e a sua monarquia absoluta que consideram que o cinema, o teatro e a música são contrários ao Islão. Dizem que são estranhos à sua cultura conceitos como liberdade de expressão ou de culto, a igualdade ou a democracia. As mulheres continuam a ser severamente discriminadas, na família, na educação, na justiça e no trabalho, nem podem conduzir, nem sair de casa sem um parente masculino. A pena de morte está prevista para o homicídio, violação, assalto à mão armada, traficância de droga, sodomia e feitiçaria.

Parece longe.. no entanto mesmo aqui ao lado foi decretado o luto nacional… e nós, mais mouros que outra coisa qualquer, sabemos tão pouco das grandezas, misérias e contradições destes familiares do deserto.

"I've searched the world without finding
land more barren,
love more pure,
or rage more fierce than yours.

I came back to you, oh desert,"

(...)

Ghazi al-Gosaibi (n. 1940)