terça-feira, maio 31, 2005

Para voltar mais tarde: non!

Os franceses disseram não à Constituição europeia.
Hoje, ou por estes dias, espera-se o mesmo resultado na Holanda.
Acredito que este referendo seja uma forma de castigar os governos locais. Mas também me parece verdade que a "europa" do parlamento, da comissão, dos burocratas suscita uma grande irritação. O comum dos cidadãos não está conquistado pela ideia da Europa.
Por cá uma sondagem daria vitória ao sim. Mas acho que seria por inércia. Sou um pouco desatenta, mas vou folheando alguns jornais e nunca li uma linha da tal constituição. Li "acerca", mas nunca o original. Suspeito que não sou diferente da grande maioria dos portugueses.
A ideia de uma "constituição" enquanto conjunto de princípios orientadores é, teoricamente, boa.
Sou pela discussão, pela constestação, pela palavra às minorias, pela preservação das pequenas culturas.
Detesto a europa normalizada, das regras generalistas e politicamente correctas. Mas incomodam-me os discuros nacionalistas que o anti europeísmo suscita.

Para voltar mais tarde: um piano contra a amnésia

Foi encontrado um homem no sul de Inglaterra, não tem documentos, não se sabe nada dele. Desenhou um piano de cauda.

domingo, maio 29, 2005

heart repair calculator...






No meio da vertigem, da montanha-russa, do enjoo que é que é ter de aturar um coração, um pouco de matemática não calha mal:


O Heart Repair Calculator funciona do seguinte modo:

1) Relações breves (menos de 3 meses)
a) nº de semanas de convívio antes do romance : 2
b) nº de semanas de romance
c) (a) + (b)
d) nº médio de dias por semana em que se viu a pessoa : 2
e) (c) x (d) = nº de semanas antes de voltar ao normal

2) Relações médias (1 ano ou menos)
a) número de meses do romance
b) nº médio de dias por semana em que se viu a pessoa : 2
c) (a) x (b) = nº de meses antes de voltar ao normal

3) Longo curso
a) De 1 a 3 calcular a o grau de felicidade do casal
b) De 1 a 3 calcular o grau de atracção física pelo parceiro
c) ( (a) + (b) ) : 2
d) (c) - 1 = nº de anos antes de....

Bom, demora tudo tempo demais.

sábado, maio 28, 2005

teatro doméstico

"As crianças surpreendem-nos muito..." já ouvi dizer tantas vezes, já o repeti tantas outras sem sequer pensar no que dizia... Convenhamos, fica bem dizer certas coisas e "surpreendem" é uma palavra suficientemente lata para não se mentir muito.

O que é verdade é que os pais fazem uma ideia dos filhos e depois é difícil mudarem-na. Aconteceu comigo, num sentido e no outro. Fizeram uma ideia e colaram-ma a mim. O que, aliás, não tem importância nenhuma. Até se compreende, é uma questão de arrumação.
Agora o que é engraçado é eu ter caído na mesma armadilha.
Há poucos dias, mais uma vez, as etiquetas não colaram.
Afinal, o adolescente cá de casa não é tão tímido quanto o fazem e a pequena selvagem é bem menos aventurosa...

Há dias, ia sair um "texto dramático" no teste de português. Pedi para treinar e ganhei este:

V - autor, 13 anos
B - irmã, 10 anos
Mãe (idade avançada...)

"(Mãe chega a casa cheia de sacos com prendas e doces)
V - Mãe! Porque é que trazes tantos sacos?
Mãe - (abrindo a boca alegremente) Meu filho, isto é tudo para vós, não percebem que eu vos estou a dar isto tudo, só porque são meus filhos?
V - (como se tivesse um ponto de interrogação na cara) Mas que tipo de coisas é que trazes?
B - (abrindo os sacos brutamente) Eu não acredito!
V - (muito entusiasmado) O que é? São brinquedos? São guloseimas?
Mãe - (muito impressionada) Achas mesmo que eu vos ia dar essas porcarias?
V - (olhando para os sacos) Mas... mas... isto são bolachas integrais e dicionários de italiano?!!??

terça-feira, maio 24, 2005

alguém está a olhar para a mesma lua



Lua cheia. Para os orientais a lua é a família, os amigos, os que são queridos. É também um espelho, a lua que olhamos é a mesma que é olhada pelo amor distante.

A NIGHT-MOORING ON THE JIANDE RIVER

By Meng Haoqan

While my little boat moves on its mooring of mist,
And daylight wanes, old memories begin...
How wide the world was, how close the trees to heaven,
And how clear in the water the nearness of the moon!


inútil paisagem.

(na imagem, as fases da lua por Galileo)

domingo, maio 22, 2005

Yes! We have no...

"...We have an old fashioned tomato
A Long Island potato
But yes, we have no bananas.
We have no bananas today..."
A canção de um vendedor de fruta que nunca dizia que não.
Para sorrir um pouco.

sábado, maio 21, 2005

Politiques - até o DN já está com ironias!

Do DN de hoje: “Um grupo de elementos próximos de Santana Lopes almoçou esta quinta-feira em Lisboa para "perspectivar o futuro". O encontro, que incluiu um ex-ministro e dois ex-secretários de Estado do Governo anterior, realizou-se no restaurante Vela Latina (...) ”

“perspectivar”... verbo elaborado e interessante. De facto, o que se pode dizer ou pensar do futuro de PSL? Nada, ou melhor, “perspectivar”... 1 ex-ministro+ 2 ex-sec.de estado? hum, não ficámos muitos, pois não?

sexta-feira, maio 20, 2005

Arthur Schnitzler e o que aproxima os homens e as mulheres.



"Met Helene -
Flowers from Mizi
Letter from Olga
Farewell letter to Jean"

"Last week I had supper twice each evening. With the girl I'm trying to win. And with the one I'm trying to lose. Unfortunately I've succeeded in neither."

Apontamentos dos diários de Arthur Schnitzler (1862 - 1931). Os diários chegam a quase 800 páginas e neles o escritor cataloga e consulta as suas experiências amorosas e eróticas.
Dramaturgo, romancista, crítico, Schnitzler foi contemporâneo e amigo de Freud "
Fiquei com a impressão que V. aprendeu pela intuição - embora de facto resultado de uma cuidadosa introspecção - tudo o que eu tive de explorar através de um laborioso trabalho com outras pessoas", disse o psicanalista numa carta ao escritor.
Os sonhos, a líbido, o consciente e o inconsciente atravessam, por exemplio, uma das obras mais populares do dramaturgo vienense: Traummnovelle, traduzida para o cinema por Kubrick como "Eyes Wide Shut". O filme é bastante fiel ao livro - uma história perturbante em que nos vamos afundando, sem racionalmente perceber tudo, mas... reconhecendo territórios íntimos.
A escrita é brilhante - faz pena não saber alemão!
Na net, está Der Reigen, um conjunto de 10 diálogos, apresentados como "quadros" isolados, mas interligados num círculo.

REIGEN (1900, Hands Around, La Ronde)

SCENE FOUR
THE YOUNG GENTLEMAN AND THE MARRIED LADY

MARRIED LADY: But suppose you really are like other men?
YOUNG GENTLEMAN: Then you wouldn't be here now--because you're not like other women.
MARRIED LADY: How did you know that?
YOUNG GENTLEMAN: [Drawing her onto the sofa, sitting next to her.] I've thought a great deal about you. I know that you're unhappy.
MARRIED LADY: [Pleased.] Yes.
YOUNG GENTLEMAN: Life is so empty, so meaningless--and then--so short--so appallingly short! There's only one happiness . . . to find someone who loves you-- [MARRIED LADY takes a candied pear from the table and puts it in her mouth.] Give me half! [She gives it to him with her lips.]
MARRIED LADY: [Takes the
YOUNG GENTLEMAN'S hands which have begun to stray.]
What are you doing, Alfred? . . . What about your promise?
YOUNG GENTLEMAN: [Swallowing the pear, then bolder.] Life is so short.
MARRIED LADY: [Weakly.] But surely that's no reason--
YOUNG GENTLEMAN: [Mechanically.] Oh yes.
MARRIED LADY: [Weaker still.] Really, Alfred, you did promise . . . be good . . . And it's so light
YOUNG GENTLEMAN: Oh come, come . . . my only one, my darling . . . [He lifts her up from the sofa.]
MARRIED LADY: What are you doing?
YOUNG GENTLEMAN: It's not at all light in there.
MARRIED LADY: Is there another room?

YOUNG GENTLEMAN: [Drawing her after him.] A charming one . . . and quite dark.

A cena de sedução continua até o autor marcar
***
mas depois dos asteriscos... depois os papéis invertem-se e o jovem amante tem de justificar o desaire na alcova

YOUNG GENTLEMAN: For days I've been going about like mad. I had a feeling this would happen.
MARRIED LADY: Don't worry about it.
YOUNG GENTLEMAN: Oh, of course not. After all, it's only natural when . . .
MARRIED LADY: Don't . . . don't . . . You're just nervous. Calm yourself . . .

Ele desfaz-se em prosa, cita Stendhal e ela... diz sim.

YOUNG GENTLEMAN: There's a story in it that's very significant.
MARRIED LADY: What kind of story?
YOUNG GENTLEMAN: Well, there's a gathering of cavalry officers--
MARRIED LADY: Yes . . .
YOUNG GENTLEMAN: And they're telling about their love affairs. And every one of them says that when they were with the woman they loved most deeply, you know, most passionately . . . well, that she--that he--well, to make a long story short, that in spite of loving this woman so, the same thing happened as with me, just now.
MARRIED LADY: Yes.
YOUNG GENTLEMAN: That's very characteristic.
MARRIED LADY: Yes.
YOUNG GENTLEMAN: That's not the end of it yet. One of them claims that it's never happened to him in his whole life, but Stendhal remarks that he was a notorious liar.
MARRIED LADY: I see.

A história tem mais algumas curvas e termina em ironia:

YOUNG GENTLEMAN: [Alone, sits on the sofa, chuckles to himself and murmurs softly.] Well, at least I'm having an affair with a respectable woman.

Perfídia, uma canção preferida




Perfídia... que palavra!
Um pouco antiquada, talvez rétro, parece uma coisa de lupanar, de veludos vermelhos e vozes abafadas.

O Nat King Cole cantava-a com a sua irresistível voz de veludo e com um espanhol cheio de "erres" enrolados :) ... É uma preferida. Depois de horas, desisti de encontar essa maravilhosa versão e deixo aqui a do Glenn Miller, que também faz sorrir.
(tudo porque não faço ideia como fazer uploads dos meus mp3 para o blog, algo que também me tem consumido algumas horas...)
A letra, tal como a música, é original de Alberto Dominguez, músico mexicano.

Mujer, si puedes tu con Dios hablar,
Preguntale si yo alguna vez
Te he dejado de adorar.
Y al mar, espejo de mi corazón,
Las veces que me ha visto llorar
La perfidia de tu amor (...)

(versão inglesa)
To you
My heart cries out "Perfidia"
For I find you, the love of my life
in somebody else's arms (...)
I find my love was not for you
And so I take it back with a sigh
Perfidia's won
, Goodbye.

Adoro o "se puedes tu con Diós hablar... " e, na versão inglesa, a despedida, suave e resignada do amor, "take it back wiht a sigh"... a perfídia ganhou... :)
Um fim dançante para um amor. Humm, a arte não imita a vida...
Em certos momentos, o melhor é ouvir uma cançáo preferida.

e agora, o que poderá levar alguém a enviar este postal?

quarta-feira, maio 18, 2005

Su Doku a partir de hoje no Público

Será que foi uma intuição? L'air du temps...? Fiquei surpreendida com a coincidência de ter conhecido, e feito um post fascinado, o So Doku há menos de uma semana e hoje o ver no Público!

já conheço os passos desta estrada




Este disco foi gravado em 1968 e está à venda no E-bay por muitos dólares.

Tem a banda sonora desta noite.

terça-feira, maio 17, 2005

Darwin acusado de monopólio.

Estamos muito longe, mas nos Estados Unidos já há escolas a banir as teorias de Darwin sobre a evolução do mundo, com a benção de fanáticos e políticos.
O que vale é que a América é vasta e diversa e alguma da sua imprensa é bastante corrosiva.

Com humor e erudição a Scientific American publicou um artigo com o título "Ok we give up. We feel so ashamed", em que promete não voltar a ser tão sectária e dar ouvidos também às teorias dos políticos americanos.

"True, the theory of common descent through natural selection has been called the unifying concept for all of biology and one of the greatest scientific ideas of all time, but that was no excuse to be fanatics about it ( ... ) We owe it to our readers to present everybody's ideas equally and not to ignore or discredit theories simply because they lack scientifically credible arguments or facts. Nor should we succumb to the easy mistake of thinking that scientists understand their fields better than, say, U.S. senators or best-selling novelists do."

No fundo, quem gosta de monopólios da verdade? E a liberdade de escolha é um valor tão bonito...

segunda-feira, maio 16, 2005

Filha do Pestalozzi


Recentemente auto exclui-me da comemoração dos 50 anos do Jardim Infantil Pestalozzi. Por timidez, apenas. Mas o meu filho, aluno antigo de há 3 anos, foi, divertiu-se e contou-me de umas “raparigas do teu ano que entraram na sala do quarto ano aos gritos histéricos”. Bonito, o “raparigas do teu ano” :)
Johann Heinrich Pestalozzi, pedagogo suíço nascido no séc. XVIII, defende a universalidade do ensino público numa época em que tutores ensinavam elites e as crianças contribuíam para a revolução industrial. Vem dizer que educação é o desenvolvimento harmonioso de todas as potencialidades da criança e não tão só e apenas do intelecto. A escola, a sala de aula, deve organizar-se segundo o modelo de uma família e os alunos devem participar activamente, e com todos os sentidos, na aprendizagem.
Na base do ensinar e do aprender, está a experiência directa, vai-se do concreto para o abstracto, do simples para do complexo, da casa para o mundo.
Identifico-me com este olhar interessado e bondoso para as crianças. Subscrevo, por exemplo, tudo quanto li de João dos Santos ou de Gianni Rodari. Um fala de psicologia outro de criatividade na escrita, mas estão unidos no respeito, curiosidade e amor pela criança.
Há muitos outros autores, muitas escolas e muitos professores, que fazem do ensino uma experiência de vida gratificante. Por isso, e com tanto que hoje se sabe de pedagogia e psicologia infantil, tanto me espanto quando ouço enormidades sobre coisas que se passam em salas de aula.
Voltando... da minha infância recordo vivamente três cenários: o do Pestalozzi, o da casa dos meus avós na Serra da Estrela das férias e o da casa de madeira na praia com dunas.
Destas três casas, diga-se, só permanece inalterada a escola.
Mas, mesmo que assim não fosse, o Jardim Infantil Pestalozzi está ligado a uma recordação de infância tão rica e tão feliz que às vezes penso que foi a altura em que fui o melhor de mim.
Uma infância feliz é uma coisa que alimenta para toda a vida.
Não importa se, como dizem alguns psicólogos, ela seja reconstruída pela nossa ânsia. Mais do que um lugar onde se volta, é uma fonte de inspiração. Não queremos ser todos puros, bons, espontâneos, capazes de tudo o que somos capazes de fazer?
Na curva descendente onde me encontro, fico feliz quando me acho parecida comigo no Pestalozzi.
Parece-me justo homenagear as pessoas e a escola: a lucidez e sensatez da Lucinda Atalaia, a autoridade natural da Cândida, a coração e colo grandes da Berta...

Ah! Esqueci-me de dizer: odeio a expressão “a criança que há em mim”.

sábado, maio 14, 2005

Su Doku



Este jogo é fascinante.
Cada pequeno quadrado, cada fila horizontal e cada fila vertical têm de conter os números de 1 a 9.
Foi comparado ao cubo mágico e está a gerar pequenos grupos de fanáticos em todo o mundo.
Nunca tinha ouvido falar.
Lembra-me remotamente alguns problemas de lógica de "psico-testes".

Se não tiverem muita paciência podem sempre clicar:

aqui

ok... aqui


aki!


ai...

terça-feira, maio 10, 2005

À procura das papoilas.

Antes do mais: papoilas vermelhas para os meus amigos todos e algumas especiais para a Essie e para a Morning-Glory que pararam algum tempo no Dia da Espiga.

Esta foto tem uma imagem bastante aproximada daquilo a que chamo "papoilas".
Cada ideia parece procurar uma palavra. Ambas misturam-se em nós com memórias, afectos, sonhos, aprendizagens e... com muito, muito mais do que posso e sei enumerar aqui. Dessa "mescla" (agora, para a minha ideia não encontro palavra perfeita) nascem outras ideias, sensações, racciocínios e, quando é possível, também imagens. Os nossos olhos procuram o reconhecimento, o encontro entre essa a "imagem" (amálgama) mental e a imagem real.
Por isso, procurei entre dezenas de fotos aquela que tinha as "minhas papoilas".
Arrumada a imagem, ou pelo menos acomodada, pode procurar-se "o que quer dizer". Significado? Símbolo? Signo? Infelizmente, não sei semiótica ou linguística para poder explorar toda a riqueza destes conceitos.
Mas "papoilas" abstactas não existem e o meu gostar de papoilas não é abstracto!
Às vezes os outros já tem as coisas pensadas por nós, no sentido que já ordenaram o turbilhão, a amálgama, de sentires e pensares que está connosco, e já lhe deram sujeito, predicado e complemento. É por isso que recorremos a citações - mas disperso-me.
Fui à procura do que significam papoilas:

Eternal Sleep; Oblivion; Dreaminess; Imagination
Hypnotic Power, visions and dreams
Fertility, Love, Sleep, Money, Luck, Invisibility
orgoglio
Papavero è simbolo della prosperità economica
Au Canada, et dans le monde entier, le coquelicot est devenu un symbole évoquant la mémoire de ceux qui sont morts au champ d'honneur.
Le coquelicot annonce un amour ardent, mais fragile.
Repos. Je suis bien tranquille.

Desde logo, como é extraordinária esta segurança com que se diz que x simboliza y ou z... e a certeza da universalidade: "
Au Canada, et dans le monde entier..."
A minha papoila quer dizer coisas tão dispersas como "sorte", "sono eterno", "memória", "orgulho"... E eu que pensava que tinha a "minha papoila" dispersa e desorganizada.. Creio que, na maior parte das vezes, quando procuramos um significado, procuramos uma arrumação - como nas citações... Às vezes encontramos algo que nos satisfaz, um significado que "serve" com um vestido que assenta bem (mas sempre de pronto a vestir, porque é feito em série); outras vezes somos surpreendidos, o significado que lemos ultrapassa aquilo que pensávamos da imagem ou ideia, é agradável e enriquecedor, pode desencadear outros pensamentos; outras vezes ficarmos desiludidos ou neutros ou desapontados. No caso, foi o que aconteceu.
Estava à espera de algo mais... fulgurante. Algo que falasse da fragilidade, da raridade desta flor selvagem que aparece durante escasso tempo, morre rapidamente, tinge com uma cor violenta e alegre os campos secos, de pétalas finas, delicadas, de sementes letais. As flores são curiosas...

Nos tais ramos de espiga dizem que a papoila simboliza a beleza e a alegria. A efemeridade, diria eu. Em certas zonas do país, diz-me a Morning Glory guarda-se o ramo num saco de pão para dar abundãncia. Noutras, atrás da porta, noutras ainda, queima-se! São engraçadas estas tradições e rituais deste país tão... de antigamente.

quinta-feira, maio 05, 2005

Dia da Espiga


Flora, Carlo Antonio Procaccini
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Estão­ por todas as esquinas: os raminhos coloridos e silvestres.
A espiga, sí­mbolo de fecundidade e abundância, oliveira pela paz e luz, flores pela alegria. Coincide com a Quinta-feira da Ascenção, mas é o ritual pagão que prevalece.
Talvez remonte às festividades em honra da deusa da primavera, das flores e da natureza: Chloris na Grécia, Flora em Roma.
Até ao séc. IV festejava-se por esta altura a Floralia, um festival de renovação com vinho, flores e danças. Ao que li, romano e licencioso.
Aqui, uma Flora de Carlo Antonio Procaccini (1555 Bolonha - 1605 Milão).

segunda-feira, maio 02, 2005


Ognuno sta solo sul cuor della terra

trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera.

Salvatore Quasimodo

[da Ed è subito sera, Mondadori, Milano 1942]