quinta-feira, março 31, 2005

Um dia estranho

O dia não devia passar sem uma efeméride pessoal e importante: faz hoje um ano que não fumo. Há 12 meses atrás, uma viagem longa e uma estadia em casa de não fumante, conciliaram-se para me ajudar a decidir. E a Austrália esperava-me cheia de recados: o primeiro país onde vi um parque ao ar livre "non smokers", onde uma cidade em festa apregoava algo como "for a smoke free Fremantle"... mas sem radicalismos ou fanatismos. Os australianos foram-me simpáticos. (Ah... devia pôr aqui umas fotos de lá... hum, devia ter um scanner... sim, e uma uma máquina digital para deixar de roubar fotos na net... E mostar Lisboa ao Vittore e à sua bela e um pouco portuguesa Esmeralda!)
Enfim, sem fumar... muita diferença? Bom, não se apagam anos e anos de decadência... mas, sim, está certo fazê-lo.

Não consegui pensar numa forma condigna de celebrar o dia. Pelo menos não numa viável. Os dias têm sido tão alucinantes e cansativos que pouca energia sobra para imaginar.


De resto, estranho dia... estranho dia... perto e longe notícias que se entrechocam.
O mundo...
Terri Schiavo morre depois de um processo chocante que passa, inclusivé, por uma tentativa do irmão do presidente Bush para tentar obter a sua tutela. A dor privada tornada pública, a discussão entre o que é matar, o que é vida... Compreendo que, acreditando nas suas convicções, os pais tenham trazido o assunto para os media como forma de pressão - cada um usa os meios que tem. Mas esta exposição traz consigo um julgamento moral ao marido da americana, uma tentativa de o condenar pela opinião pública e, assim, alterar as decisões do tribunal (aliás, os recursos sucederam-se).
Não só me incomoda essa tentativa de chantagem como, naturalmente, o aproveitamento que foi feito do caso pela direita americana tentanto impôr os seus dogmas e aparecer como cruzados impolutos e superiores de um "way of life"...
Não tenho verdades absolutas, mas... quinze anos vegetativos? Concordo com a decisão do marido de Terri Schiavo.

Impressionou-me o Papa. A sua tentativa, no Domingo de Páscoa, em falar aos fiéis e, hoje, ao ler que teria levado, ou teria sido pedido para ele, a extrema unção. Apesar de ter sido o porta voz das posições da Igreja oficial - insustentáveis no que diz respeito, por exemplo, ao uso dos preservativos - João Paulo II deixa-me uma imagem de tolerância e de Paz.
O seu sofrimento físico tem sido evidente mas o sacrifício que o cargo exige é conhecido e assumido. Como a realeza, é um cargo vitalício. Melhor, um símbolo vitalício.

E amanhã? Dias das mentiras... de partidas velhas e notícias mirabolantes... oxalá sim. Ainda ontem o coração me caiu aos pés com um encontro falhado, oxalá amanhã seja um bom dia para disparatar!

quarta-feira, março 30, 2005

Amigos de longe


Mexico
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Paul Gomes é um luso descendente que vive nos Estados Unidos. Um dia ele e a sua mulher querem conhecer Portugal. Entretanto, vai escrevendo, laboriosamente e cheio de paciência! Cada frase vem em português e em inglês. Ele e a sua família estiveram de férias nesta praia. Tiveram a gentileza de me enviar este testemunho convidativo.

Obrigada!

segunda-feira, março 28, 2005

Rumi, The Awakening, para uma nova semana

Parece haver um culto por este poeta, por esta poesia, que até há pouco desconhecia - Rumi, um poeta do século XII, líder espiritual, fundador dos Sufi... hesito em escrever porque de facto sei muito pouco e não quero errar. Nas páginas sobre ele encontro também o Rubaiyat, que já tinha visto nas nossas livrarias.
Fica um excerto, um despertar:

THE AWAKENING

(...)

I found my dreams
but the moon took me away
It lifted me up to the firmament
and suspended me there
I saw how my heart had fallen
on your path
singing a song

Between my love and my heart
things were happening which
slowly slowly
made me recall everything

You amuse me with your touch
although I can’t see your hands.
You have kissed me with tenderness
although I haven’t seen your lips
You are hidden from me.

(...)
Rumi

sábado, março 26, 2005

Alfazema


.
Num site do Brasil leio: "Uso mágico: Na África as flores e folhas são usadas contra maus-tratos maritais. Significa universalmente pureza, castidade, longevidade, felicidade. Dormir sobre ramos de lavanda abranda a depressão."
Das propriedades, retenho que é boa para a "inapetência". Hum... em geral ou em particular?

Mistérios da Páscoa

O dia de Páscoa passeia-se caprichoso entre Março e Abril. Mas afinal tudo depende de uma fórmula:

c = a/100
n = a - [19×(a/19)]
k = (c - 17)/25
i = c - c/4 - [(c-k)/3] +(19×n) + 15
i = i - [30×(i/30)]
i = i - {(i/28)×[1-(i/28)]×[29/(i+1)]×[(21-n)/11]}
j = a + a/4 + i + 2 -c + c/4
j = j - [7×(j/7)]
l = i - j
m = 3 + [(l+40)/44]
d = l + 28 - [31×(m/4)]

usa-se a para ano, m para mês, e d para dia., com todas as variáveis e operações inteiras, com os restos das divisões ignorados

Ah, pronto... assim sim...

sexta-feira, março 25, 2005

Páscoa Feliz

Ontem no Chiado comprei um raminho com alfazema, folhas de oliveira e outros que não identifiquei. Por vergonha, não perguntei ao vendedor qual era a simbologia. Porquê na quinta-feira de Páscoa? Ah, os meus miseráveis conhecimentos cristãos... Mas lembro-me da Serra da Estrela e de irmos aos ramos, oliveira, giesta. Lembro-me de me contarem porquê.
Mas isso era no tempo em que eu era pequena e celebrava a Páscoa (desculpe Sr. Pessoa, melhor, Sr. Engenheiro!).
O Padre ia com a cruz de porta em porta. Lá dentro, numa pequena mesa redonda, uma toalha branquíssima com um bordado simples, vinho numa garrafa bonita, um cálice, um prato com biscoitos, para o rapazito. Um pé de hortênsias completava a mesa.
A minha avó beijava os pés de Cristo e eu, citadina e alheia aos mistérios da fé, olhava fascinada para o ritual.
A isto tudo cheirava a alfazema do Chiado.

terça-feira, março 22, 2005

Infinito e os amigos


De porta


em porta
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.

-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô

-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...

-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?

-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...

-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?

Alexandre O'Neill

Enviado pela atenta e generosa MM (insisto em esquecer o diminuitivo...) que não se esquece de celebrar o Dia da Poesia... primeiro dia de primavera e de frágeis e solitários
infinitos.
Soube bem! Tenho amigos a quem quero muito. Confesso até, e parece um plano engenhoso mas não teria habilidade para tanto, que fiquei amiga das pessoas de quem queria. Pessoas de quem gostava e admirava ao longe... e depois mais perto.
De alguma forma, criaram-se laços. E bastante resistentes, até.


Política, jornalismo e vocabulário

"À saída, perante os jornalistas, o ministro dos Negócios Estrangeiros insistiu que "nunca disse que Bush é igual a Hitler". Questionado se é o elo mais fraco do Governo de José Sócrates, Freitas do Amaral argumentou que....", no Público de hoje.

Vamos lá a ver...
1º - os deputados da recente oposição acusam o ministro dos Negócios Estrangeiros de comparar Bush a Hitler. Francamente... o Freitas do Amaral?! Um académico, um escritor... como podia exprimir-se de forma tão simplista?
2º - na apresentação do programa do novo governo demoram a discutir e a citar e a provar esta acusação bacoca?
3º - e depois disto tudo um jornalista ainda lhe pergunta se ele é "elo mais fraco" !? Será mesmo necessária esta displicência...?
Admiro a fleuma de alguns políticos...

domingo, março 20, 2005

Rotinas

Dizem mal da rotina.
Mas as rotinas embalam-nos. São mornas e açucaradas.
Há meses recomecei a andar de transportes... e aqueles vinte minutos de leitura no metro são um verdadeiro prazer do dia.

Outros gestos e percursos estão, de novo, a mudar.
Aguardo com curiosidade. Que nova rotina me embalará?

sábado, março 19, 2005

italiano livello 4 - Ho dato il tuo nome

"Hai dato il mio nome ad un albero? Non è poco
pure non mi rassegno a restar ombra, o tronco
di un abbandono nel suburbio. Io il tuo
l'ho dato a un fiume, a un lungo incendio, al crudo
gioco della mia sorte, alla fiducia
sovrumana con cui parlasti al rospo
uscito dalla fogna, senza orrore o pietà
o tripudio, al respiro di quel forte
e morbido tuo labbro che riesce,
nominando, a creare; rospo fiore erba scoglio -
quercia pronta a spiegarsi su di noi
quando la pioggia spollina i carnosi
petali del trifoglio e il fuoco"

Eugenio Montale

Un altro italiano che mi lascia senza parole...
Non so spiegare questa poesia (nemmeno in portoghese),
so soltanto ammirarla: un nome dato ad un albero,
a un fiume, a un fuocho... una donna, una principessa, chi
parla con un rospo, forse il poeta... ci sono tante cose
scritte in un solo verso.
In corso d'italiano non leggiamo poesie, peccato...
Cosa abbiamo imparato questa settimana?
- gli italiani, anchi i grandi, non danno mai del "Lei" ai genitori
- revisioni, molti: la casa, i mobili, i plurali irregolari, ecc, ecc

Ah, ah, importante: é stata inaugurata la libreria italiana!
C'era anche un gruppo musicale. L'ambienza era festiva,
anche un po' boemia, quando siamo entrati cantavano il "Bellaciao"!

quarta-feira, março 16, 2005

"They were talking about // love"

"my son, not quite seven, said
- It was a bad day at school
Six children cried
- Why? Were they sick? Did teacher scold?
Which six?
- Trinanjan
Ishita – two times Ishita!
Arjun
Jatin
Actually, three times Ishita!
I can’t tell you about it

- Why not?

- Neha started it
Rahul and I ran away
It was a madhouse!
- A madhouse? Viraj, tell Amma, please.
- You’ll scold me. It was in the break
Teacher wasn’t there
- Okay, don’t tell me! You don’t have to tell me.

- They were talking about

Love.

(...)"
Love, Rukmini Bhaya Nair
Escolhi-o porque fala de crianças e de amor, fala de primeiros amores,
primamores.
A Primavera é certa (ai... de quem é esta expressão?

Sem inventar, eis os primeiros indícios que observei:

1.duas professoras primárias esperam SALTOS de aprendizagem
nos meninos e meninas
2. um rapaz pré adolescente reconheceu a existência do sexo oposto
3. o ar da tarde parece seda na pele
4. duas jovens mulheres riram-se e disseram que vão casar
5. um homem está a sentir o spleen da nova estação
6. uma mulher decide dar largas à sua raiva e escreve para um jornal
acusando Santana Lopes de "regressar à CML pela calada"

hei-de listar outros...

Mais amor: o filme "A casa dos punhais voadores", sucessor do "Hero"
do mesmo realizador.

É do oriente que tenho visto os mais belos filmes.
E não é só a beleza plástica, o domínio da cor e da luz,
a exploração da velocidade da câmara.
É uma nova respiração.
Às vezes, sobretudo nestas histórias épicas, parece que voltamos à infância e,

de novo, maravilhamo-nos com as histórias dos homens
- do amor, da guerra, da honra, da vergonha,

da paixão, da renúncia.

terça-feira, março 15, 2005

Poemas de água e luz



.
Gosto de instalações.
Gosto de um pouco de caos - da ideia de criar outros contextos para os objectos.
A minha muito letrada e artística amiga Z. levou-me ao CCB para ver a Rebecca Horn. Há muito tempo que não via uma exposição tão completa. Bela, tecnicamente complexa, inovadora, madura.
As instalações criam-se à nossa frente: o vai-vem do mecanismo, as sombras, a tinta que fica impressa na parede, salpicada no chão...
Adorei a ironia, champagne e tinta vermelha e preta numa instalação chamada "os amantes", o ví­deo onde se lê que o amor na cama com a janela aberta é um o.a.s.i.s.
Há uma sala onde vale a pena ficar um pouco mais - obscura, com um grande espelho de água onde mergulha um estilete, como se escrevesse. Música. Nas paredes, vindo de inúmeros projectores, é projectado um poema, repetido em várias superfícies, sempre em movimento, como se fossem palavras de luz.
Vale a pena caminhar um pouco, no sentido das palavras, contra... vê-las impressas em nós, ver a nossa sombra esticada na parede.
Numa delas, as palavras ondulam, vemos... bom, o que parece que vemos é a projecção do reflexo da projecção das palavras na água.
Inspiramos, expiramos e estamos em paz.

sexta-feira, março 11, 2005

Cosí Fan Tutte ... which Mozart opera does your life most resemble?

quizzzzzzzzzling....

Um Jardim sobre o Nilo

Um homem de apelido Ellena, "o grego", entra numa sala e encontra-se com duas belas mulheres. Tira do bolo três frascos etiquetados com misteriosas siglas. Vertem-se gotas. As duas mulheres aspiram longamente.
Este não é o princípio nem o fim de uma história verdadeira
Antes, estes três europeus elegantes e sofisticados passeiam em Aswan, no Egipto. Sentem o cheiro a vazio do deserto, a fragrância das acácias, do jasmin, da banana e do maracujá.
Falam de especiarias, da misteriosa raíz de lótus que quando macerada em água cheira a peónia e a jacinto.
Descobrem a manga verde, efémera - 60 segundos depois de colhida, o perfume desaparece!

la sillage... la persistance... la signature
Cada palavra é uma missão.

Um Jardim sobre o Nilo... uma ode, um romance epistolar, um filme um pouco épico.
Sim, a julgar pelo amor e mestria com que foi criado, podia ser isso tudo.
É um perfume.
A sua história, e a do perfumista que o criou, Jean Claude Ellena, é um fascinante artigo do New Yorker.
Parece alquimia.
"In my presence, Ellena once dipped a touche into a molecule called isobutyl phenal acetate, which has a purely chemical smell, and another touche into vanillin, a synthetic version of vanilla. He placed the two paper strips together, waved them, and chocolate appeared in the air."

quinta-feira, março 10, 2005

Palavras que sempre estiveram à nossa frente - Jacques Prévert


Jacques Prévert
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Parece que cada vez menos gente aprende francês. Que pena! Que perda...
Os meus "primeiros franceses" foram a Nicole, o Robert e o Patapouf, num livro de escola prático e próprio para meninos de 10 anos.

Já pouco se ouve pouco falar e cantar em francês. "Les Feuilles Mortes" uma das mais belles chansons, tem um poema de Jacques Prévert.
Um poeta de palavras pueris, muito simples, muito belas.
Só a ler, já se canta.


Alicante
Une orange sur la table

Ta robe sur le tapis

Et toi dans mon lit

Doux présent du présent

Fraîcheur de la nuit

Chaleur de ma vie.

Premier jour
Des draps blancs dans une armoire

Des draps rouges dans un lit

Un enfant dans sa mère

Sa mère dans les douleurs

Le père dans le couloir

Le couloir dans la maison

La maison dans la ville

La ville dans la nuit

La mort dans un cri

Et l'enfant dans la vie.

Déjeuner du matin
Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler

Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder

Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder

Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré



quarta-feira, março 09, 2005

Eva, Auguste Rodin


Eve Rodin
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oh... não funcionou ontem a música para o dia da mulher...
mas que importava isso a Eva numa manhã antiga e enevoada?

terça-feira, março 08, 2005

segunda-feira, março 07, 2005

words for roses

'what's in a name? That which we call a rose,
By any other name would smell as sweet'
Shakespeare, Romeo and Juliet, act II, sc II

A friend says there's nothing more rich and powerful in meanings, feelings, emotions, than 'rose'.
It's worth to think about it... he had me write 5 'feelings' about it. I could have written more.

Cinema, memória, hipnose, controlo


Hoje os cinéfilos lembram Kubrik

Sinto-me pateta a olhar para a lista de filmes: "ah... o Dr.Strangelove! Barry Lyndon! ... Eyes wide shut..." do livro de Anton Mesmer, recomendado e lido há poucos meses.

(e vale a pena demorar um pouco com o Dr. Mesmer, vem dele o enigmático ... mesmerized... )

Voltando a Kubrik, porque é um dos belos filmes que é preciso ver, aqui fica um excerto, um diálogo sobre controlo.

“HAL
I can tell from the tone of your voice, Dave, that you're upset.
Why don't you take a stress pill and get some rest.
 BOWMAN
Hal, I'm in command of this ship. I order you to release
the manual hibernation control.
 HAL
I'm sorry, Dave, but in accordance with sub-routine
C1532/4, quote, When the crew are dead or incapacitated,
the computer must assume control, unquote. I must,
therefore, override your authority now since you are
not in any condition to intelligently exercise it.
(...) HAL
Dave, I don't understand why you're doing this to me....
I have the greatest enthusiasm for the mission...
You are destroying my mind... Don't you understand?
... I will become childish... I will become nothing.
 HAL
Say, Dave... The quick brown fox jumped over the fat lazy
dog... The square root of pi is 1.7724538090... log e
to the base ten is 0.4342944 ... the square root of ten is
3.16227766... I am HAL 9000 computer. I became

HAL

operational at the HAL plant in Urbana, Illinois,
on January 12th, 1991. My first instructor
was Mr. Arkany. He taught me to sing a song... it goes
like this... "Daisy, Daisy, give me your answer do.
I'm half; crazy all for the love of you... "

domingo, março 06, 2005

"oh, diz-me..."


"Na grande confusão

deste medo
deste não querer saber
na falta de coragem
ou na coragem de
me perder me afundar
perto de ti tão longe
tão nu
tão evidente
tão pobre como tu
oh diz-me quem sou eu
quem és tu?"

António Ramos Rosa, Poemas


Peter Singer, um filósofo utilitário


(filósofo utilitário é uma tradução muito desconhecedora de "utilitarian philosopher", os filósofos e letrados que me perdoem!)

Peter Singer foi outros dos nomes de que o L. me falou. Chegou-lhe com referências do tipo " um dos mais inovadores nomes da filosofia actual".
Basta abrir a sua página para perceber que estamos a pisar em terreno polémico. Antes assim.

Nasceu na Austrália, ensina em Princeton, reflecte sobre a moral e a ética, é, por isso mesmo, vegetariano e doa 20% do seu rendimento à OXFAM e à UNICEF.

Em 75 publica "Animal Liberation", a referência dos movimentos de defesa dos direitos dos animais - não fazemos nada para prevenir o sofrimentos dos animais; não há razão para que os interesses do ser humano prevaleçam sobre os de outros seres; os seres devem ser tratados como individualidades e não como membros de uma espécie.

"Species membership alone isn't morally significant, but equal consideration for similar interests allows different consideration for different interests. The qualities that are ethically significant are, firstly, a capacity to experience something -- that is, a capacity to feel pain, or to have any kind of feelings. That's really basic, and it’s something that a mouse shares with us. But when it comes to a question of taking life, or allowing life to end, it matters whether a being is the kind of being who can see that he or she actually has a life -- that is, can see that he or she is the same being who exists now, who existed in the past, and who will exist in the future. Such a being has more to lose than a being incapable of understand this. "

Escreve sobre aborto, eutanásia, deixar viver ou deixar morrer; define o que é 'pessoa':
"... a being who is capable of anticipating the future, of having wants and desires for the future."
É fácil ser bombástico com Peter Singer - a morte de recém nascidos deficientes ou o sexo com animais são alguns chavões possíveis.

Terei de ler com mais cuidado.

Tem isso de bom, para conhecer a sua "utilitarian philosophy" basta ir ao site e consultar todos os seus artigos, links e referências.


sábado, março 05, 2005

Parenting for Peace

"As parents, we have a remarkable opportunity to empower our children with life skills for connecting with others, resolving conflicts, and contributing to peace. Key to learning these skills is our conception of what human beings are like. Nonviolent Communication teaches that all human beings have the same deep needs, and that people can connect with one another when they understand and empathize with each other’s needs. Our conflicts arise not because we have different needs but because we have different strategies for how to meet our needs. (...)
parents may find that we don’t need punishments or rewards in parenting our children—we can instead invite our children to contribute to meeting our needs just as we invite ourselves to contribute to meeting theirs: with joy and willingness instead of guilt, shame, fear of punishment or desire for reward. This is not permissive parenting—it is parenting deeply committed to meeting the needs of both parents and children through a focus on connection and mutual respect."
Inbal Kastan, Parenting for Peace

O meu amigo L. trouxe do Forúm Social Mundial de Porto Alegre alguns entusiasmos.
Um deles foi o Marshall Rosenberg, psicólogo, fundador da ONG Center for Non Violent Communication.

Algumas das ideias, melhor, a expressão de algumas das suas ideias, incomoda-me. Mas interessa-me o tema da educação e do respeito mútuo.
O site é bastante didático e os princípios da comunicação não violenta são fáceis de entender: ouvir, os outros e a nós próprios, não julgar, saber identificar sentimentos/emoções, articular desejos/necessidades.

Todos os seres humanos têm basicamente as mesmas necessidades/desejos. A estratégia para os alcançar é que difere.
Há uma frase interessante num dos artigos, em que se diz que devíamos aprender lidar com as crianças do mesmo modo como lidamos com outros adultos. Ou seja, a reconhecer-lhes
necessidades /desejos /aspirações, direito ao respeito.
O filho do autor, criado a ouvir os princípios da com. não violenta, responde ao pai com algo como "ah, estás cansado? Queres falar sobre isso?".
"So cute!" pensa o pai...
Mas... e se ele quisesse mesmo ouvir? No caso, o pai fala.
Muitas vezes as crianças oferecem-nos ajudas destas. Pensamos que é mimetismo, sorrimos... Mas se calhar estão a agir muito a sério e conscientemente.
Vale a pena observar, ouvir e falar com as crianças.

"what will they say if our love"


"what will they say
if our love
stays above the waist?
Will their childish games
ever produce a result?


but if our love
shifts below the waist
they will say: They have never known
that profound touching of souls."
Song Xiaoxiang, Love


sexta-feira, março 04, 2005

Homens e Mulheres

Entre homens e mulheres pode haver verdadeira amizade ?

A maior parte das vezes respondo que não.
Mas o meu muito querido amigo L. faz-me duvidar.
O escritor Lobo Antunes falava num livro-entrevista da paixão da amizade. Hoje o L. falou de algo semelhante.
Gostamos um do outro, sem complicações, sem lutas de poder, sem jogos.
Hum... três vezes "sem"... parece que tiro muito? Talvez tire só o que está a mais entre amigos.
O L. é tão admirável que até uma amiga nos gostaria de ver como casal! Eu acho que sim, que ele e eu devíamos estar em casal, cada um com o seu... e encontrarmo-nos depois os quatro :)

"la strada più pericolosa di Bagdad"

La Repubblica, 4/03: "Giuliana libera, Nicola ucciso. Alla fine, l'Italia li chiama per nome. La giornalista del Manifesto liberata dai servizi segreti. Il funzionario del Sismi, il servitore dello Stato ammazzato dal fuoco amico americano lungo la strada per l'aeroporto, la strada più pericolosa di Bagdad. "
Nem queria acreditar quando li...
À tarde o meu amigo enviou-me um link para a notícia da libertação da sua conterrânea. Fiquei contente. Por ele, também, porque creio que a notícia enche o coração de todos os italianos.
Mas agora... isto !? Como se pode? Não deviam os americanos em Bagdad ter uma organização sofisticada, organizada, conhecedora...?
O próprio Berlusconi diz que ficou "petrificado" com a notícia.
Como irão reagir os italianos?

quinta-feira, março 03, 2005

Italiano livello 4 - "Val la penItaliano livello 4 a esser solo, per essere sempre piú solo?


"Traversare una strada per scappare di casa
lo fa solo un ragazzo, ma quest'uomo che gira
tutto il giorno le strade, non è piú un ragazzo
e no scappa di casa.

Ci sono d'estate
pomeriggi che fino le piazze son vuote, distese
sotto il sole che sta per calare, e quest'uomo, che giunge
per un viale d'inutili piante, si ferma.
Val la pena esser solo, per essere sempre piú solo?
Solamente girarle, le piazze e le strade
sono vuote. Bisogna fermare una donna
e parlarle e deciderla a vivere insieme.
Altrimenti, uno parla da solo. È per questo che a volte
c'è lo sbronzo notturno che attaca discorsi
e racconta i progetti di tutta la vita.

Non è certo attendendo nella piazza deserta
che s'incontra qualcuno, ma chi gira le strade
si sofferma ogni tanto. Si fossero in due,
anche andando per strada, la casa sarebbe
dove c'è quella donna e varrebbe la pena.
Nella notte la piazza ritorna deserta
e quest'uomo, che passa, non vede le case
tra le inutili luci, non leva piú gli occhi:
sente solo il selciato, che han fatto altri uomini
dalle mani indurite, como sono le sue."

Cesare Pavese, Lavorare Stanca



"Val la pena esser solo, per essere sempre piú solo ?"
Mi sono subito inamorata di questo poeta... così belo, così triste, così tragico...
Mi piace la sua "musica", le sue parole - "buio", "silenzio", "colinna", "risveglio", "respiro", "tepore"... e poi ha scritto questa frase, bella e terribile: "verrà la morte e avrà i tuoi occhi"!
sono molto "superlativa" quando mi metto a scrivere sulla poesia che amo...
Cosa significa Pavese per gli italiani?



quarta-feira, março 02, 2005

Recreio

Ouvi hoje da B. " eu antes pensava que a canção era atirei o Paulo ao gato-to-to...". Lindo...
Já para não falar no "antes"... 9 anos e já uma história, já um "antes"...

terça-feira, março 01, 2005

Retratos

Frases ouvidas na rua.

- Vem cá... olha és uma menina, és uma menina... bsh bsh bsshhh ... olha tão querida... vem cá que te dou uma coisa... menina... menina...

- Queres brincar...? Ai! Não mordas, assim não! Sim, sim, bonito, bonito.... Ai...! Isso não! És maroto...!

Pessoas que vão a passear na rua. Aparentemente sem dúvidas no caminho. Mas vêm um cão ou um gato e interrompem o despreocupado momento dos animais com propostas sussurradas.
Quase sempre os bichitos fogem, irritam-se... mas eles insistem com gestos, sorrisos, seduções....
Instinto de perseguição? A lei do mais forte? Não... tudo muito brando...
E a maior parte das vezes, há até genuína simpatia na voz e no gesto.

Na cidade não falamos uns com os outros. E falamos com cães e gatos.
E se lembrasse a alguém falar com o seu semelhante como fala com um animalzito?
"Ai que querido o seu marido! Posso fazer uma festinha?"