Sábado, Outubro 10
no dia da reflexão
Sexta-feira, Outubro 9
Tornerà un altro inverno
devagar, outra vez
Sábado, Fevereiro 17
Sou imparcial com os Nouvelle Vague.
Quarta-feira, Fevereiro 14
Pouca instrução no dia de namorados.

Os lenços de namorados. Noutros tempos copiados uns pelos outros por raparigas de poucas letras.
E hoje mesmo todos os jornais falam do último relatório da Unicef sobre a situação das crianças no mundo. Relembra que os nossos jovens continuam pobres e estúpidos.
Segunda-feira, Fevereiro 12
Day after.
Será que a despenalização do aborto significará a mesma libertação?
Hoje pensei que isso pudesse acontecer mas a quase-clausura não me permite perceber do que se fala por aí.
Talvez não seja a mesma libertação, ou o seja para muito poucas mulheres. A culpa fecha as bocas, mais do que a ditadura.
Ouvi que os jornais europeus olham com paternalismo para este referendo neste país tão conservador, religioso e rural, como escreve o Economist. Não é de admirar, só nós é que não percebemos que não vamos dar lições a ninguém.
Antes, como faz o primeiro-ministro, ver o que de melhor se vai fazendo por aí e copiar.
Quarta-feira, Fevereiro 7
O meu signo Briggs Meyers.

Segunda-feira, Fevereiro 5
Poemas para crianças: Tony Mitton e Rodari
Keep Out!
There is a big oak door
in front of this poem.
It’s locked.
And on the door is a notice
in big red letters.
It says: Any child who enters here
will never be the same again.
WARNING. KEEP OUT.
But what’s this?
A key in the keyhole.
And what’s more,
nobody’s about.
“Go on. Look,”
says a little voice
inside your head.
“Surely a poem
cannot strike you dead?”
You turn the key.
The door swings wide.
And then you witness
what’s inside.
And from that day
you’ll try in vain.
You’ll never be the same again.

Un giorno tutti saremo felici.
Le lacrime, chi le ricorderà?
I bimbi scoveranno
nei vecchi libri
la parola "piangere"
e alla maestra in coro chiederanno:
"Signora, che vuol dire?
Non si riesce a capire".
Sarà la maestra,
una bianca vecchia
con gli occhiali d'oro,
e dirà loro:
Così e così.
I bimbi lì per lì
non capiranno.
A casa, ci scommetto,
con una cipolla a fette
proveranno e riproveranno
a piangere per dispetto
e ci faranno un sacco di risate...
E un giorno tutti in fila,
andranno a visitare
il Museo delle lacrime:
io li vedo, leggeri e felici,
i fiori che ritrovano le radici.
Il Museo non sarà tanto triste:
non bisogna spaventare i bambini.
E poi, le lacrime di ieri
non faranno più male:
è diventato dolce il loro sale.
...E la vecchia maestra narrerà:
"Le lacrime di una mamma senza pane...
le lacrime di un vecchio senza fuoco...
le lacrime di un operaio senza lavoro...
le lacrime di un negro frustato
perché aveva la pelle scura..."
"E lui non disse nulla?"
"Ebbe paura?"
"Pianse una sola volta ma giurò:
una seconda volta
non piangerò".
I bimbi di domani
rivedranno le lacrime
dei bimbi di ieri:
del bimbo scalzo,
del bimbo affamato,
del bimbo indifeso,
del bimbo offeso, colpito, umiliato...
Infine la maestra narrerà:
"Un giorno queste lacrime
diventarono un fiume travolgente,
lavarono la terra
da continente a continente,
si abbatterono come una cascata:
così, così la gioia fu conquistata".
(in Versi e storie di parole, Gianni Rodari)
Poesia vitoriana: Christina Rossetti.

I cannot tell you how it was,
But this I know: it came to pass
Upon a bright and sunny day
When May was young; ah, pleasant May!
As yet the poppies were not born
Between the blades of tender corn;
The last egg had not hatched as yet,
Nor any bird foregone its mate.
I cannot tell you what it was,
But this I know: it did but pass.
It passed away with sunny May,
Like all sweet things it passed away,
And left me old, and cold, and gray.
Christina Rossetti, May (in Goblin Market and other poems, 1862)
Domingo, Fevereiro 4
El corazón,
Que tenía en la escuela
Donde estuvo pintada
La cartilla primera,
¿Está en ti,
Noche negra?
(Frío, frío,
Como el agua
Del río.)
El primer beso
Que supo a beso y fue
Para mis labios niños
Como la lluvia fresca,
¿Está en ti,
Noche negra?
(Frío, frío
Como el agua
Del río.)
Mi primer verso.
La niña de las trenzas
Que miraba de frente
¿Está en ti,
Noche negra?
(Frío, frío,
Como el agua
Del río,)
Pero mi corazón
Roído de culebras,
El que estuvo colgado
Del árbol de la ciencia,
¿Está en ti,
Noche negra?
(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)
Mi amor errante,
Castillo sin firmeza,
De sombras enmohecidas,
¿Está en ti,
Noche negra?
(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)
¡Oh, gran dolor!
Admites en tu cueva
Nada más que la sombra.
¿Es cierto,
Noche negra?
(Caliente, caliente,
Como el agua
De la fuente.)
¡Oh, corazón perdido!
¡Réquiem aeternam!
Federico Garcia Llorca, Balada Interior
Xarope de groselha
Fonte: MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
DIRECÇÃO-GERAL DOS IMPOSTOS (DGCI)
Tendo merecido despacho concordante, em 26-04-06, do Sr Subdirector-Geral, a n/ informação nº 1 411 de 07-04-06, comunica-se o seguinte:
1. De acordo com o disposto na verba 1.12 da Lista I anexa ao CIVA, são tributados à taxa de 5%, os “ refrigerantes, sumos e néctares de frutos ou de produtos hortícolas, incluindo os xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos ”.
2. Em matéria de regulamentação dos sumos e néctares de frutos, bem como da sua composição, acondicionantes e rotulagem, o Decreto-Lei nº 225/2003, de 24 de Setembro, transpõe para a ordem jurídica interna, a Directiva nº 2001/112/CE, do Conselho, de 20 de Dezembro, relativa aos sumos de frutos e a determinados produtos similares destinados à alimentação humana.
3. Para efeitos do disposto na referida Directiva, o anexo II do Decreto-Lei nº 225/2003, de 24 de Setembro, define quais as matérias primas a utilizar na composição dos citados produtos, referindo o ponto 4 alínea b) o “xarope de frutos”.
4. Por outro lado, o Anexo I, do citado diploma, refere também que sumo de frutos é por definição “o produto fermescentível, mas não fermentado, obtido a partir de uma ou mais espécies de frutos, sãos e maduros, frescos ou conservados pelo frio,com a cor, o aroma e o gosto característico do sumo das frutas de que provêm”.
5. Face ao exposto, e atendendo a que a “groselha”, está classificada no âmbito da botânica como um fruto (fruto retirado da groselheira), que, de resto, se encontra elencado no Anexo IV do referido diploma, considera-se o produto “xarope de groselha”, para efeitos de enquadramento na verba 1.12 da Lista I, como um “xarope de sumos”, sendo, consequentemente, tributadas à taxa de 5% as respectivas transmissões
6. Devem considerar-se revogados quaisquer outros entendimentos proferidos em sentido contrário
Sexta-feira, Fevereiro 2
O sim de Vasco Pulido Valente.
"A pergunta do referento é limitada e concreta: quer ou não quer o eleitorado acabar com o aborto clandestino até às dez semanas de gravdez? Nada mais. O "não", sem defender o regime presente, alega que esta medida irá aumentar e "normalizar" o aborto . E, para evitar esse perigo, aceita que milhares de muheres paguem um preço de sofrimento e de humilhação (a maioria infelizmentes por ignorância e miséria). O "sim" prefere acabar com o mal que vê e pensar depois no mais que vier, se de facto vier."
Não percebo como a moralidade dos defensores do "não" se concilia com a imoralidade do aborto clandestino. É a moral do castigo e do sofrimento. A sexualidade fora da procriação, as mulheres que podem não ser mães, a liberdade individual, tudo isto são perigos e desvios.
No mesmo Público, ainda os "SIM" de Esther Muznick, falando do feto ou embrião como corpo da mulher e ainda sem existência própria, de José Miguel Júdice, Vítor Dias, Helena Matos.
Quinta-feira, Fevereiro 1
imagens a favor da despenalização do aborto
Quarta-feira, Janeiro 31
exercício
dignidade ofendida é sair da aula de ginástica pensando que afinal já não estamos nada mal e ouvir uma senhora de idade respeitável a comentar: "hoje a aula foi muito fraquinha, não foi?"
Referendo despenalização do aborto. Razões para o Sim
À falta de habilidade e arrumação mental para expôr argumentos, e dos muitos artigos acertados e lúcidos, este é um que expõe sem rodeios as razões de muitos defensores do SIM e as minhas também.
Doze razões
por Vital MoreiraSou a favor da despenalização do aborto, nas condições e limites propostos no referendo, ou seja, desde que realizado por decisão da mulher, em estabelecimento de saúde, nas primeiras dez semanas de gravidez. Eis uma recapitulação das minhas razões.
1.ª - O que está em causa no referendo é decidir se o aborto nessas condições deve deixar de ser crime, como é hoje, sujeito a uma pena de prisão até 3 anos (art. 140.º do Código Penal). Por isso, é francamente enganador chamar ao referendo o "referendo do aborto" ou "sobre o aborto", como muita gente diz. De facto, não se trata de saber a posição de cada um sobre o aborto (suponho que ninguém aplaude o aborto), mas sim de decidir se a mulher que não se conforma com uma gravidez indesejada, e resolve interrompê-la, deve ou não ser perseguida e julgada e punida com pena de prisão.
2.ª - Não há outro meio de deixar de punir o aborto senão despenalizando-o. Enquanto o Código Penal o considerar crime (salvas as excepções actualmente já existentes), ninguém que pratique um aborto está livre da humilhação de um julgamento e de punição penal. Quem diz que não quer ver as mulheres punidas, mas recusa a despenalização, entra numa insanável contradição. Não faz sentido manter o aborto como crime e simultaneamente defender que ele não seja punido.
3.ª - A actual lei penal só considera lícito o aborto em casos assaz excepcionais (perigo grave para vida ou saúde da mulher, doença grave ou malformação do nascituro, violação). Ao contrário do que correntemente se diz, a nossa lei não é igual à espanhola, que é bastante mais aberta do que a nossa e tem permitido uma interpretação assaz liberal, através da cláusula do "perigo para a saúde psíquica" da mulher. Por isso, a única saída entre nós é a expressa despenalização na primeira fase da gravidez, alterando o Código Penal, como sucede na generalidade dos países europeus.
4.ª - A despenalização sob condição de realização em estabelecimento de saúde autorizado (por isso não se trata de uma "liberalização", como acusam os opositores) é o único meio de pôr fim à chaga humana e social do aborto clandestino. Esta é a mais importante e decisiva razão para a defesa da despenalização. Nem a ameaça de repressão penal se mostra eficaz no combate ao aborto, nem a sua legalização faz aumentar substancialmente a sua frequência. A única coisa que se altera é que o aborto passa a ser realizado de forma segura e sem as sequelas dos abortos clandestinos mal-sucedidos. Por isso, se pode dizer que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública.
5.ª - Se se devem combater os factores que motivam gravidezes indesejadas, é humanamente muito cruel tentar impô-las sob ameaça de julgamento e prisão. É certo que hoje há mais condições para evitar uma gravidez imprevista (contraceptivos, planeamento familiar, etc.). Mas a sociologia é o que é, mostrando como essas situações continuam a ocorrer, em todas as classes e condições sociais, mas especialmente nas classes mais desfavorecidas, entre os mais pobres e menos cultos, que acabam por ser as principais vítimas da proibição penal e do aborto clandestino (até porque não têm meios para recorrer a uma clínica no estrangeiro...).
6.ª - A despenalização do aborto até às 10 semanas é uma solução moderada e, mesmo, comparativamente "recuada", visto que em muitos países se vai até às 12 semanas. Por um lado, trata-se de um período suficiente para que a mulher se dê conta da sua gravidez e possa reflectir sobre a sua interrupção em caso de gravidez indesejada. Por outro lado, no período indicado o desenvolvimento do feto é ainda muito incipiente, faltando designadamente o sistema nervoso e o cérebro, pelo que não faz sentido falar num ser humano, muito menos numa pessoa. Como escrevia há poucos dias um conhecido sacerdote católico e professor universitário de filosofia: "A gestação é um processo contínuo até ao nascimento. Há, no entanto, alguns "marco" que não devem ser ignorados. (...) Antes da décima semana, não havendo ainda actividade neuronal, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído."
7.ª - Só a despenalização e a "desclandestinização" do aborto é que permitem decisões mais ponderadas e reflectidas, incluindo mediante aconselhamento médico e psicológico. Embora o referendo não verse sobre os procedimentos do aborto legal, nada impede e tudo aconselha que a lei venha a prever uma consulta prévia e um período de dilação da execução do aborto, como existe em alguns países. Aliás, o anúncio de tal propósito poderia ajudar o triunfo da despenalização no referendo, superando as hesitações daqueles que acham demasiado "liberal" o aborto realizado somente por decisão desacompanhada da mulher.
8.ª - A despenalização do aborto nos termos propostos não viola o direito à vida garantido na Constituição, como voltou a decidir o Tribunal Constitucional, na fiscalização preventiva do referendo. No conflito entre a protecção da vida intra-uterina e a liberdade da mulher, aquela nem sempre deve prevalecer. O feto (ainda) não é uma pessoa, muito menos às dez semanas, e só as pessoas são titulares de direitos fundamentais e, embora a vida intra-uterina mereça protecção, inclusive penal, ela pode ter de ceder perante outros valores constitucionais, nomeadamente a liberdade, a autodeterminação, o bem-estar e o desenvolvimento da personalidade da mulher. Mas a punição do aborto continua a ser a regra e a despenalização, a excepção.
9.ª - A decisão sobre a legalização ou não do aborto não pode obedecer a uma norma moral partilhada só por uma parte da sociedade. Ninguém pode impor a sua moral aos outros. É evidente que quem achar, por razões religiosas ou outras, que o aborto é um "pecado mortal" ou a violação intolerável de uma vida, não deve praticá-lo. Pode até empregar todo o proselitismo do mundo para dissuadir os outros de o praticarem. Mas não tem o direito de instrumentalizar o Estado e o direito penal para impor aos outros as suas convicções e condená-los à prisão, caso as não sigam. A despenalização do aborto não obriga ninguém a actuar contra as suas convicções; a punição penal, sim.
10.ª - A despenalização é a solução a um tempo mais liberal e mais humanista para a questão do aborto. Liberal - porque respeita a liberdade da mulher quanto à sua maternidade. Humanista - porque é o único antídoto contra as situações de miséria e de humilhação que o aborto clandestino gera. Quando vemos tantos autoproclamados liberais nas hostes do "não", isso é a prova de que o seu liberalismo se limita à esfera dos negócios e da economia, parando à porta da liberdade pessoal. Quando vemos tanta gente invocar o "direito à vida" do embrião ou do feto para combater a despenalização, ficamos a saber que para eles vale mais impor gravidezes indesejadas (e futuros filhos não queridos) do que a defesa da liberdade, da autonomia e da felicidade das pessoas. Se algo deve ser desejado, devem ser os filhos!
11.ª - Na questão da despenalização do aborto é verdadeiramente obsceno utilizar o argumento dos custos financeiros para o SNS. Primeiro, o referendo não inclui essa questão, deixando para a lei decidir sobre o financiamento dos abortos "legais". Segundo, mesmo que uma parte deles venham a ser praticados no SNS, o seu custo não deve comparar desfavoravelmente com os actuais custos da perseguição penal dos abortos, bem como das sequelas dos abortos mal sucedidos.
12.ª - A despenalização do aborto, nos termos moderados em que é proposta, será um sinal de modernização jurídica e cultural do país, colocando-nos a par dos países mais liberais e mais desenvolvidos, na Europa e fora dela (Estados Unidos incluídos). A punição penal do aborto situa-nos ao lado de um pequeno número de países mais conservadores e mais influenciados pela religião (como a Irlanda e a Polónia). Mas por que motivo um Estado laico deve pautar o seu Código Penal por normas religiosas?
(Público, Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007) [Publicado por vital moreira] 29.1.07
Delicatessen
01 - Delicatessen - Angel Eyes.mp3
(lado direito do rato --- open link in a new tab)
A castidade e a memória.
"O cardeal patriarca, D.José Policarpo, considera que a educação sexual «é bem-vinda e necessária», mas para ser «verdadeira» tem que ser feita na «perspectiva da castidade». " (notícias de ontem)
Logo após a revolução, uma professora de Lisboa, gritava que teriam de construir uma maternidade ao lado do Liceu caso ele se tornasse misto.
Em vez disso, nasceu um Centro Comercial onde se calhar a professora sublimou muita histeria com umas comprinhas. E a vida continuou.
E por uns tempos andou para a frente: nas aulas dispunhamos as cadeiras em U para que toda a gente se visse e participasse, o Padre Alberto falava de relações sexuais na adolescência, os professores mais interessantes (com as mesmas ou piores condições de hoje) conseguiam dar aulas arejadas e criativas.
O futuro alternava entre uma núvem cor-de-rosa ou o nevoeiro mais denso. Mas nunca imaginei que, uma eternidade depois, a educação sexual fosse um tabú tão grande ou que a igreja ainda mandasse nas escolas.
Salomão e menina da Sertã.

Querer entregar a criança à guarda da família adoptante e o poder paternal ao pai biológico é uma decisão salomónica, sem o preceito moral por trás. Ou seja, é tão conciliadora que é uma não-decisão.
Entretanto, da convulsão de viver escondida, já ninguém a livra. A crença de que as crianças "pertencem" aos adultos continua muito arreigada. Direitos da criança continua a ser apenas matéria de cartazes coloridos que os meninos fazem aos 8 anos.
Sexta-feira, Janeiro 26
Pavana de Ravel

O Bolero tornou-se insuportável, este continua belo:
Maurice Ravel - Pavane pour une infante défunte.mp3
(clicar c/ lado direito rato -- Open Link in a New Tab)
Eça de Queiroz vs Mel Gibson
- pois... o filme é sobre os Maias... eu não sei muito sobre isso... já vi o livro, mas por acaso ainda não li.
Deve ir uma grande ventania na cabeça daquela senhora. Ou então, é pensamento lateral.
Sense of humor.
Proactive. Not a pretty word: try active or energetic.
A top politician or top priority is usually just a politician or a priority, and a major speech usually just a speech
Epicentre means that point on the earth's surface above the centre of an earthquake. To say that Mr Putin was at the epicentre of the dispute suggests that the argument took place underground.
Domingo, Janeiro 21
Stevenson, Perec, Woody Allen. Citações do fim-de-semana.
Posto isto:
"I was born of the Hebrew persuasion, but I converted to narcissism", Sid Waterman ou Woody Allen, ilusionista falhado no Scoop. Como ele escreve bem diálogos!
Durante uma visita nocturna aos saldos da Ler Devagar, alguém na rua tocava e cantava ruidosamente o Kalinka seguido do Besame Mucho. Decadente e a condizer com as salas a 5, 2 e 1 €. Tristes livros, 1 euro...
Trouxe alguns, mesmo assim. Livrinhos pequenos de autores clássicos que escrevem bem e são bons de ler. Juntaram-se a uns tantos achados na FNAC no dia anterior. Fim-de-semana de livros, sim. Há muito que ler, muito e bom. Não se pode perder tempo.
Num filme clássico de Hollywood um personagem tinha aceite um emprego modesto para poder ter tempo para ler. Ok, ok... um pouco moralista. Ler para acalmar a consciência? humm.. é pouco, eu sei...
"Mine eyes were swift to know thee, and my heart
As swift to love. I did become at once
Thine wholly, then unalterably, thine
In honourable service, pure intent,
Steadfast excess of love and laughing care:
And as I was, so am, and so shall be.
I knew thee helpful, knew thee true, knew thee
And pity bedfellows: I heard thy talk
With answerable trobbings. On the stream,
Deep, swift, and clear, the lilies floated; fish
Through the shadows ran. There, thou and I
Read kindness in our eyes and closed the match."
Robert Louis Stevenson, admirado por JLBorges, que num poema agradecia que na terra existisse Stevenson. A sua poesia está bilingue na Assírio e Alvim, muito bela.
"Le voyage sera longtemps agréable. Vers
Georges Perec, Les Choses
Estranho, minucioso, hipnótico... se não é um escritor de culto, devia ser.
Na Fnac ainda há alguns exemplares das obras reunidas em francês, papel bíblia e caixa arquivadora.
Quinta-feira, Janeiro 18
Ouvir e voltar a ouvir António Cartaxo.
Fico sempre feliz quando o encontro. Está na antena 1 e antena 2, com três programas: Em Sintonia, Histórias da música... e outras e De Olhos bem abertos*.
Ontem encontrei finalmente o tema de abertura das Histórias: Pushkin Waltzes Op 120 de S.Prokofiev, outro arrebatado...
(o castpost está em upgrade, não consigo ainda outro que funcione)
* para relembrar o singular Kubrick e Authur Schnitzler, o autor austríaco do livro original e de outros fascinantes e de um diário curioso.
Serviço público: o regresso da Ler Devagar e literatura portuguesa online
A Ler Devagar vai reabir:
" No dia *19 de Janeiro, 6ª Feira, às 18 horas*, a Ler Devagar vai abrir uma nova livraria na *Rua da Rosa nº 145*, no Bairro Alto, em Lisboa.
Vai ser uma livraria vocacionada para os livros das áreas da literatura em geral (de autores portugueses e estrangeiros)e da Filosofia, com cerca de 80m2.
Para a inauguração está programado um Concerto de Piano com Vera Prokic(B.Gallupi . sonata em dó maior
Liszt-Schubert: Gretchen am Spinnrade
Chopin . Valsa em dó sustenido menor), a realizar pelas 22 horas.
Agora que a Ler Devagar retoma a sua programação normal, ainda em Janeiro, pode assistir e participar na "Poesia Vadia" (4ª Feira, dia 24)- uma organização de Pedro Mota - e no Debate em volta do livro .Towards a Nonlinear Quantum Physics., de José Croca, com a participação de Rui Moreira, Jorge Valadares e J.Luís Cordovil. A organização é de Nuno Nabais e Olga Pombo
E enquanto se lê ou se ouve também se pode tomar um chá ou um café. Às Quartas das 18 às 24 horas e de 5ª a Sábado das 18 às 2 horas da manhã.
Entretanto os saldos na Ler Devagar (Zé dos Bois e agora também na Cinemateca) continuam até ao dia 20 de Janeiro. "
E no site do Brasil domíno público continuam disponíveis obras de autores de língua portuguesa e outros em português. Ao que parece por pouco tempo, já que a fraca afluência não justitica a manutenção do site.
Quarta-feira, Janeiro 17
mundos femininos
Mãe e filho dão passos rápidos na rua de acesso à escola. Ele, do lado do gradeamento, ténis, calças de ganga, blusão largo e acolchoado, aberto. Rosto ainda redondo mas quase tão alto como a mãe e mais largo. Iguais a ela, os olhos e cabelos escuros orientais. A mãe japonesa calça sapatos com dois dedos de salto, saia cinza abaixo do joelho, casaco beige apertado à cintura fina. Os cabelos lisos reviram um pouco para fora à altura dos ombros. O rosto é claro, as sobrancelhas arqueadas dão-lhe um olhar ligeiramente ansioso. A mãe leva a mochila do filho. Não com uma alça enfiada num ombro, nem nos dois, nem mesmo pela mão. Leva a mochila como se tratasse de um pacote frágil, uma mão na base, a outra da parte de cima, à frente do tronco, de uma forma quase respeitosa.
Cuidados de mãe, gestos de bondade estremosa, adiando o peso nos ombros no rapaz de 12 anos. Ou herança antiga de mulher submissa, sempre vivendo para a paz e contentamento do outro.
Sentada no degrau da loja e iluminada pela luz forte e alegre da montra, a rapariga divide a atenção entre o tráfego de sms no telemóvel brilhante que segura na mão e a porta de entrada da escola de línguas. Chama um rapaz e faz um pedido singular:
- Ó Pedro! Olha, tu não me viste...
- Não vais à aula?
Combinado o pacto, ele entra, ela fica na montra. Vão chegando mais grupos.
- Inês, Inês! Tu não me viste... eu não estou aqui...
- Ahn...!?
A rapariga de olhos brilhantes e excitados explica outra vez. E mais uma vez, chama outra miúda e outra e outro. E repete o desejo. E faz sorrir o seu jogo de escondidas tão descarado e ingénuo de quem quer ser invisível à vista de todos.



